TESTEMUNHOS

GOSTARIA de citar um exemplo de cura instantânea ocorrida em minha vida. Há muitos anos, nas florestas longínquas de Assam (Índia), encontrava-me nos últimos estágios de disenteria, sendo a única mulher num acampamento de setenta homens. Enquanto pude, apeguei-me ao pouco que eu conhecia de Ciência Cristã, mas constante- mente me via servindo a dois senhores; num momento eu declarava minha unidade com Deus, unidade essa sempre perfeita e harmoniosa, mas, no minuto seguinte, era completamente dominada pelas condições humanas.

Por fim, quando eu estava entrando rapidamente no vale da sombra da morte, meu marido, que conhecia os ensinamentos da Ciência ainda menos do que eu, mas que estivera fazendo o melhor que podia para ajudar-me, achou num exemplar do Christian Science Journal o nome e endereço de um praticista residente na Índia. E enviou um mensageiro que correu com um telegrama até o terminal ferroviário mais próximo, a uns vinte e dois quilômetros de distância, levando um pedido urgente de auxílio. O praticista recebeu o telegrama no dia subseqüente.

Na manhã seguinte, cedo, o grupo recebeu ordem de se deslocar, e eu fui carregada em minha cama, através da floresta. Ia perdendo rapidamente a consciência e já não podia mais engolir. Por volta do meio-dia, o grupo estava atravessando uma fazenda de chá. Os proprietários, dois jovens agricultores, vendo que eu estava para morrer, sugeriram que me deixassem ali, no bangalô, até que meu marido, após colocar os homens em seus postos, pudesse voltar e ficar comigo. Como humanamente não havia mais nada que meu marido pudesse fazer, aceitou com gratidão a oferta. Fui levada inconsciente para dentro do bangalô, e minha cama e meus pertences foram postos num quarto vazio. Ali fui deixada por muitas horas, sem ser perturbada.

Ao cair da tarde, acordei de repente. Sentia-me perfeitamente bem, forte e cheia de alegria inerente à liberdade. Pedi que me preparassem um banho. Levantei-me, tirei a roupa da mala, e quando meu marido regressou, pouco depois, eu estava vestida e completamente livre de toda a sensação de disenteria. Quando anunciaram o jantar, eu apareci com meu marido na sala de jantar. Tomei uma refeição completa, normal; e mais tarde, quando os dois jovens agricultores voltaram para passarem ali o serão, cantei e toquei violão para eles. No dia seguinte fizemos uma marcha longa e difícil, através de matas infestadas de sanguessuga, mas eu não me sentia nem um pouquinho cansada ou exausta.

Provei também que a Ciência Cristã é uma proteção instantânea em momentos de perigo. Achava-me sozinha na floresta quando me vi frente a um elefante que se enfurecera. Fui salva somente pelo meu conhecimento da Ciência Cristã. Dentro de poucas horas aquele mesmo elefante matou um homem e duas crianças, antes de ser abatido a tiros. Em outra ocasião fui protegida quando me achava em grande perigo ante o ataque de uma cobra naja.

(Lady) Mary L. Giles, Heytesbury, Wiltshire, Inglaterra Journal, Vol. 69, p. 51, (janeiro de 1951)

SENTI-ME terrivelmente perdida, abandonada, depois que meu marido morreu, embora tivesse meus três filhos. Fiquei tão transtornada que o médico me dava comprimidos para dormir. Então uma noite alguns amigos me disseram que seria melhor se eu tomasse um trago de bebida alcoólica, para dormir. E foi assim que tomei meu primeiro trago.

Bem, a princípio eu bebia uma ou duas vezes por semana. Mas depois comecei a beber todas as noites. Isso continuou e tornei-me alcoólatra. Dentro de um período de oito anos eu estive internada no mínimo cinqüenta vezes. A princípio eu só ficava uns poucos dias, mas, depois das primeiras vezes, cheguei a ficar semanas e até meses. Experimentei de tudo - praticamente todos os meios de cura conhecidos. Fui multas vezes a um psiquiatra durante três anos e meio, a princípio, de duas em duas semanas, e depois, todos os dias. No entanto, muitas vezes eu saía de seu consultório e tomava alguns tragos antes de voltar ao trabalho.

Durante muitos anos, dirigi um lindo salão de beleza. Mas quando o meu vício de beber piorou, achei melhor vender o negócio. Finalmente o médico persuadiu minha mãe a mandar recolher-me ao hospital do Estado por um ano ou mais, se necessário.

Àquele tempo meus filhos já eram adultos e viviam longe do lar. Quando tudo isso aconteceu, comecei a compreender realmente que precisava dar um jeito em minha vida, pois esta era de fato um caos. Não sabia o que fazer. Comecei a orar a Deus, e achei um versículo bíblico transcrito num folheto que eu tinha. Era de Filipenses (4 - 8 ): “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamentos.” Assim comecei com esse versículo bíblico. E às vezes, quando não podia pensar em mais nada, eu apenas olhava para o céu e via como era belo e azul. Contemplava as árvores, em vez de pensar sobre a infelicidade, a tristeza e a doença ao meu redor.

Então, comecei a pensar a respeito de Cristo Jesus e sobre o modo como ele orava a Deus - humilde e profundamente, como se Deus estivesse ali mesmo onde ele se encontrava. Assim, procurei orar, pensando do mesmo modo, isto é, que Deus estava onde eu me encontrava e que Ele podia curar-me. Continuei com esse pensamento todos os dias. Por fim, tive alta do hospital, após haver permanecido ali apenas cinco meses. Eu queria mudar minha maneira de viver, e esta só poderia ser mudada por Deus. Foi então que resolvi procurar um praticista da Ciência Cristã. Alguns anos antes eu tinha lido um pouco o livro Ciência e Saúde. Mas não o tinha entendido.

Por isso fui a um praticista. Eu disse-lhe que não teria futuro, a menos que pudesse mudar completamente minha maneira de viver. E eu sabia que a minha única esperança estava em Deus. Não falei muito sobre meu vício de beber, pois me sentia envergonhada. E ele disse: “Isso nunca aconteceu realmente ao homem que Deus fez.” Bem, naturalmente, eu reagi um pouco a essa afirmação, em meu pensamento, mas não muito, porque já me sentia mais alentada. Ele prosseguiu conversando comigo, e então comecei a sentir que reencontraria meu caminho. Senti a proximidade de Deus. O que o praticista disse, me deu a sensação de pertencer novamente à sociedade. Perdemos essa sensação ainda que os nossos amigos estejam bem perto de nós, porque sabemos que não é correto o que estivemos fazendo. E, quando saí de seu escritório, tinha a convicção de que estava curada.

Não houve mais tentação, nunca mais voltei a beber. Não houve sequer mais um pensamento sobre isso. Apenas alegrei-me com a cura. Eu estava maravilhada. Recebi mais ajuda do praticista e comecei a estudar a Ciência Cristã. E, pouco a pouco, comecei a compreender o que era que me havia curado!

Mais tarde, regressei ao meu lar, em Nebraska. Que maravilhosa experiência foi o meu regresso! As pessoas vinham abraçar-me e dizer- “Estamos muito contentes com você.” Ninguém punha em dúvida a minha cura. E minha gratidão para com Deus não pode ser expressa por meio de palavras.

(Sra.) Harriet Nelson, Norfolk, Nebraska Série de Programas de Rádio/TV,”Como a Ciência Cristã Cura”, 1958 TENHO catorze anos de idade e sou aluno numa Escola Dominical Ciência Cristã. Enquanto estava na praia durante o verão de 1936, a oportunidade de notar quanto o preparo recebido na Escola Dominical significa para mim. Meus três primos mais novos, um amiguinho e eu saímos a passeio numa canoa. Fazíamos isso freqüentemente, visto que meus priminhos tinham aprendido a manter-se quietos. Quando estávamos passando o cais, um menininho a quem conhecíamos chamou-nos e pediu que e permitíssemos ir conosco. De começo hesitei, mas decidi levá-lo, pois ele estava com muita vontade de ir.

Tudo foi bem durante certo tempo. Cantávamos enquanto remávamos a frente, divertindo-nos em grande estilo. De repente o menininho que tínhamos apanhado no cais se levantou e apoiou-se sobre o lado da canoa. Esta virou, e todos nós caímos na água. A água tinha uma profundidade de sete metros e meio, e estávamos a cerca de cinco quilômetros da costa.

A menininha de quatro anos de idade foi parar debaixo da canoa, eu me meti por baixo para safá-la. O menininho que fez com que a canoa emborcasse, afundou duas vezes. Quando veio à tona pela última vez empurrei a canoa para ele e disse-lhe que viesse para mim, o que ele fez. Então, com cinco crianças agarradas na canoa, meu primo, que tem dez anos de idade, sugeriu que declarássemos a verdade. Eu tinha visto um pouco antes um pescador passar num barco, e por isso disse às crianças que se mantivessem agarradas na canoa enquanto eu ia procurar auxílio. Enquanto me afastava nadando, podia ouvir suas vozes se tornando cada vez mais fracas na distância. Alguns deles estavam repetindo a “exposição científica do ser” (Ciência e Saúde de autoria da Sra. Eddy, p. 468). Os menorzinhos estavam dizendo a oração que nossa Líder escreveu para crianças pequenas (Miscellaneous Writings - Escritos Diversos, p. 400)- Eu sabia que nós não podíamos em momento algum estar separados de Deus. À medida que nadava adiante, eu pensava em tudo quanto havia aprendido na Escola Dominical. Fui me despindo das minhas roupas, peça por peça. Fiquei cansado algumas vezes e senti frio, e uma vez quase adormeci, mas alguma frase da Verdade vinha-me à memória para me estimular a prosseguir. Por fim vi o barco do pescador, continuei a nadar e em breve alcancei-o e contei-lhe o que acontecera. O pescador puxou-me para dentro e dirigiu o barco na direção das crianças. Quando nos aproximávamos, eu vi quatro das crianças ainda agarradas na canoa, mais não podia ver a pequena de quatro anos. Compenetrando-me de que Deus é o única poder, olhei outra vez e a vi boiando sobre a água. Em breve as alcançamos e recolhemos todas elas, cada urna das crianças sã e salva. Éramos um grupinho feliz que ia para casa.

O pescador disse que eu tinha nadado uma distância de pouco mais de seis quilômetros. Sei que sem a compreensão da Ciência Cristã, que eu havia adquirido na Escola Dominical, nunca poderia ter nadado essa distância, pois que nunca em minha vida havia praticado natação a longa distância. Passaram-se duas horas desde o momento em que deixei as crianças até que voltei. O primo de dez anos de idade fez a sua parte, mantendo viva a coragem das crianças, de maneira que julgo ser o trabalho dele tão importante quanto o meu.

O povo na praia considerou isto um milagre, mas para mim será sempre urna maravilhosa demonstração do poder e da presença de Deus. Quando estávamos todos reunidos em casa, perguntaram à pequenina de quatro anos de idade o que é que ela ficara pensando durante o longo tempo em que esperava a minha volta, e ela disse: “Bem, sabia que a água passava acima da cabeça de papai e sabia que também passava acima da cabeça de mamãe, mas eu sabia que ela não passava acima da cabeça de Deus.”

Samuei H. Meeks, Alexandria, Virginia Sentinel, Vol. 40, pp.495-496, (19 de fevereiro de 1938)

ALGUNS ANOS meu primeiro bebê nasceu com cabeça-d'água, e os ossos da parte de cima da cabeça estavam fechados. O médico disse que a criança não tinha possibilidade de viver mais do que duas semanas. Chamou outro médico e o veredicto foi o mesmo. A criança foi removida para um hospital particular, onde deviam fazer urna punção na espinha para retirar um pouco de líquido e aliviar a pressão sobre o cérebro, mas sem nenhuma esperança de cura. Na véspera da operação minha irmã velo visitar-me e, embora eu nada soubesse acerca da Ciência Cristã, ela imediatamente contou a um praticista da Ciência Cristã que a criança estava desenganada. Quando os médicos chegaram na manhã seguinte a fim de fazer a operação, encontraram as enfermeiras num estado de grande alvoroço, porque durante a noite a criança havia sido completamente curada.

No decorrer dos três meses seguintes a criança perdeu todos os traços de subnutrição e os ossos na parte de cima da cabeça separaram-se naturalmente. O médico não podia acreditar que isso fosse possível, e assim levei o bebê para que o visse. Ele disse que provavelmente tinha feito uma troca de crianças, pois nunca vira ou ouvira falar de um restabelecimento em semelhantes condições. Algum tempo depois a fotografia da criança recebeu o prêmio concedido ao mais belo estudo-de-criança na Austrália.

(Sra.) Gladys Field, Subiaco, Austrália Ocidental Sentinei, VoI. 34, p. 234, (21 de novembro de I931)

MINHA ESPOSA e eu estávamos voando da Califórnia para Londres e o avião encontrou uma forte turbulência. Colocamos o cinto de segurança, mas a situação ficou assustadora. Alguns passageiros gritavam. Eu me voltei a Deus, a Mente divina, para salvar a situação. Veio-me à lembrança uma passagem do livro de Marcos, na Bíblia. Ela diz: “Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível” (10:27).

Uma outra passagem conhecida, de Ciência e Saúde, diz: “0 Amor divino sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana” (p. 494). Enquanto eu estava calmo, meditando nesses trechos, ouvi alguém sentado próximo a mim, orando também. Muitos passageiros estavam se voltando para De em busca de proteção. Sentimos a certeza de que Deus realmente cuida de nós e chegamos em segurança a nosso destino.

Eu havia lutado contra uma doença por cinco anos. Sentia coceira, e haviam ficado pontos sem cabelo na parte esquerda da cabeça, principalmente atrás. Isso me deixava pouco à vontade, porque sentia que estava sendo observado onde quer que fosse. Quando aprofundei minha oração, estudando a Bíblia e Ciência e Saúde, encontrei a solução; entendi que Deus, a Mente divina, me vê completo, pois ele olha direto para o coração. Também descobri que a mente mortal havia tomado conta de alguns espaços em minha consciência, enquanto eu não estava alerta. Quando me apoiei completamente em Deus, o Princípio divino, Sua onipotência apagou as crenças da mente mortal, e meu cabelo começou a crescer naturalmente. Em maio de 1997 a coceira havia sumido e meu cabelo tinha crescido de novo, completamente.

Agradeço muito a Deus por essa cura, pois estava angustiado e confuso, sentindo-me incapaz de ajudar a mim mesmo. Agora, em vez do desconforto, sinto um senso de amor e paz onde quer que eu vá.

Peter Tsiganyo Mudida Suna-Migori, Quênia, África

EU ESTAVA regressando de uma festa em São Francisco, Àquele tempo eu freqüentava a universidade e morava do outro lado da baía. Enquanto íamos em nosso carro, um outro veículo chocou-se com o nosso. A porta abriu-se e eu fui arremessada para fora, caindo ao solo e batendo com a cabeça no meio-fio. Perdi os sentidos. Chamaram uma ambulância e me conduziram a um hospital de emergência da cidade de Oakland. Do hospital telefonaram aos meus pais comunicando que eu sofrera uma grave fratura na base do crânio, que ambos os nervos ópticos haviam sido secionados e que me restariam umas duas horas de vida, e pediam-lhes que viessem com urgência. Meus pais imediatamente chamaram uma praticista da Ciência Cristã que já nos tinha ajudado muitas vezes, e os três vieram juntos ao hospital.

Quando chegaram eu estava na sala de operações, já tendo recebido alguns pontos na cabeça. Então disseram aos meus pais que era só o que podiam fazer por mim. Não me haviam dado nenhum outro tratamento médico. Os médicos repetiram sua declaração de que me restariam apenas algumas horas de vida.

Mais tarde me disseram que, embora inconsciente, quando me removeram da sala de operações eu repetia, continuamente, estas palavras de Jesus: “Pai, graças te dou porque me ouviste” (João 11: 41).

Levaram-me para outra dependência do hospital. Meus pais e a praticista continuaram a orar como aprendemos na Ciência Cristã, isto é, reconhecendo a eterna presença da Vida, Deus, e que Deus era a única Vida e que essa era a minha vida. Assim, venci a crise. Fiquei inconsciente uma semana. Os médicos disseram que se eu sobrevivesse ficaria inválida para toda a vida, e provavelmente cega.

Meus pais providenciaram para que eu continuasse a receber tratamento pela Ciência Cristã, e um deles sempre permanecia comigo. Na segunda semana, ao recobrar paulatinamente a consciência, comecei a pedir-lhes que lessem para mim várias coisas da Bíblia e de Ciência e Saúde. Lembro-me da definição de homem, do livro-texto, e do Salmo no. 8; especialmente dessas duas coisas. Parte desse salmo diz: “Que é o homem, que dele te lembres? e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, pouco inferior aos anjos, e de glória e honra o coroaste” (Salmo 8:4, 5 – conforme a versão King James).

À pergunta “0 que é o homem?”, responde a Sra. Eddy, em parte: *O homem não é matéria; não é constituído de cérebro, sangue, ossos e de outros elementos materiais. As Escrituras nos informam que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus” (Ciência e Saúde, p. 475). Mais tarde me lembrei de que havia aprendido aquelas coisas na Escola Dominical, anos antes, quando era pequenina, embora na época não parecesse que as tivesse aprendido realmente. Eu tinha freqüentado a Escola Dominical, assiduamente, e aprendido minhas lições, mas em verdade eu não poderia dizer que me houvesse aplicado mui freqüentemente ao estudo da Ciência, a não ser que algum motivo sério me preocupasse.

Esse foi de fato um ponto decisivo em minha vida. Estava adquirindo uma noção mais clara de que o homem realmente é espiritual e não está sujeito a ferimentos materiais - porque ele é a imagem e semelhança de Deus, do Espírito. Reconheci que, a despeito das aparências, isso era a verdade, e que ela me curaria.

Quando recobrei completamente a consciência estava acentuadamente estrábica de modo que não podia ler, mas os médicos ficaram admirados por eu poder enxergar alguma coisa. Ao cabo da segunda semana de hospital, fui removida para a enfermaria da universidade. Durante todo o tempo jamais fui medicada.

Cada dia um de meus pais vinha ler e trabalhar metafisicamente comigo. Um dos hinos favoritos de meu pai era o de no. 412, e nós orávamos juntos meditando nestas palavras: “O tu, cativo, te ergue, livre e são.” Eu percebia que me achava presa apenas ao sentido mortal e que, em verdade, podia levantar-me e cantar, porque era livre. Cantei todos os hinos de que me lembrava e aprendi alguns novos. Continuei a melhorar e, no fim de quatro semanas, fui para casa. No dia seguinte normalizou-se completamente o estado de meus olhos. Os médicos expressaram surpresa pelo fato de o cérebro ou o sistema nervoso nada terem sofrido. Um dos médicos era o Dr. -----------, da costa do Pacífico, médico famoso, especialista em cirurgia do cérebro. Quando saí para ir para casa, ele disse aos meus pais: “A oração curou sua filha!” Todos os ferimentos tinham sarado e eu me achava em pleno uso de todas as minhas faculdades.

Mais tarde exigiram que me submetesse a um completo exame de saúde a fim de voltar à universidade. A doutora que me examinou nada sabia a respeito do caso. Examinou-me superficialmente, e fiquei desapontada por não se ter impressionado com a cura. Indaguei-lhe se não ia examinar-me a cabeça, Ela disse: “Que há com a sua cabeça?” e virando minha ficha médica, viu aquela lista de prognósticos de várias insuficiências. Então me examinou meticulosamente, inclusive os olhos, e achou que estava tudo perfeito. Cerca de três anos mais tarde eu quis lecionar numa escola e tive de submeter-me a outra rigorosa inspeção médica. Acharam que minha visão estava completamente perfeita, sem vestígio algum de distúrbio. Isso ocorreu há dezoito anos e não houve efeitos subseqüentes.

A Ciência Cristã tem-me ajudado continuamente. Durante a guerra coeana meu marido estava na Coréia, e eu fiquei só com os nossos dois filhos mais velhos. Mais tarde nos reunimos no Japão. No curso de todas essas experiências tivemos provas convincentes da proteção carinhosa de Deus. A idéia de que existe só uma Mente, e de que todos refletimos essa Mente e por ela somos governados e unidos - creio que de tudo o que aprendemos na Ciência Cristã, isso é o que realmente mais significado tem para nós.

(Sra.) Adele R. Ranck, West Bradenton, Flórida Série de Programas de RádiolTV, “Como a Ciência Cristã Cura, 1959 EU MORAVA na Áustria, no ano de 1942. Nessa época fui internada no Stalag 17A, um acampamento de prisioneiros de guerra situado na fronteira com a Hungria. Ali havia também pessoas jovens como eu, cujos pais se sabia que estavam trabalhando na organização de resistência nazismo. Por ter vista muito fraca, deram-me uma licença de duas semanas para consultar um oculista em Wiesbaden, na Alemanha. Esse cavalheiro era um médico muito proeminente. Eu lhe escrevera e lhe perguntara se poderia ir consultá-lo. Ao examinar-me pela primeira vez, disse-me que não podia fazer nada por mim, que eu precisava era ter fé em Deus.

Minha resposta foi: “Como posso ter fé em Deus? O senhor quer que eu a busque no ar?” E ele disse que não, porém que me emprestaria um livro para eu ler e que se eu pudesse compreender Deus, poderia ter fé. Assim ele me entregou a edição alemã-inglesa do livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, da Sra. Eddy.

Eu não o li. Não estava interessada em religião. Não queria saber coisa alguma acerca de Deus. Mas diariamente, cada vez que eu ia vê-lo, ele me perguntava se eu já havia começado a ler o livro. Finalmente, iniciei a leitura. E creio que as duas coisas que subitamente me despertaram, e me fizeram pensar que aquilo era algo extraordinário, foram, em primeiro lugar, a definição de Deus. Pensei que se existia um Deus, teria de ser como a Sra. Eddy O definira no início do capítulo intitulado Recapitulação. E a segunda coisa foi a idéia de que o bem tinha mais poder do que o mal, e que nós poderíamos provar isso em nossa vidas. Isso para mim era extraordinário, porque parecia estarmos rodeados do poder do mal e de nada mais.

Assim, quando tive de voltar ao acampamento, quis levar o livro. princípio, o oculista não queria dar-me o livro, porque não se podia comprar livros naquele tempo. Ele ofereceu-se para enviar-me citações mas eu queria era o livro. Por isso ele me deu o livro, e também u Arauto da Ciência Cristã, um Arauto em alemão. Retornei ao acampamento, e apenas o pouquinho que eu tinha lido--em cerca de uma semana de leitura--foi suficiente para que a expressão de meu rosto mudasse tanto que algumas das pessoas do acampamento não me reconheceram. A caminho do acampamento, obtive também uma Bíblia, e logo que ali cheguei de volta, pus-me a estudar dia e noite. Isso logo absorveu todos os meus pensamentos. Sentava-me no único alojamento que tínhamos--doze mulheres num só alojamento--com uma lâmpada elétrica de pequena intensidade, no teto. Sentava-me no chão e estudava durante cada minuto em que me era possível. Eu tinha recebido o livro em setembro de 1942, e algum tempo mas tarde, em janeiro de 1943, quando estudava, tive de súbito um vislumbre do que o homem é: a imagem e semelhança espiritual de Deus. Foi exatamente como se um nevoeiro se tivesse dissipado, e então percebi que o homem--como realmente é--não pode estar detido numa prisão, não pode achar-se confinado num acampamento de prisioneiros, pois é tão livre, e tão ilimitado quanto Deus. A bem dizer, pareceu-me ridículo pensar que se pudesse manter o homem atrás de uma cerca de arame farpado ou preso dentro de alguma coisa.

Em conseqüência, peguei a Bíblia, Ciência e Saúde, meu Arauto alemão, e alguns objetos de uso pessoal e saí do acampamento, na plena luz do dia. Não procurei esconder coisa alguma. Saí naturalmente pela única rua--havia torres de vigia, soldados permanentemente de sentinela, e estes tinham caminhões e veículos armados. Todavia, desci a pé por cerca de duas horas e meia até a estação de estrada de ferro mais próxima, onde tomei um trem para Viena. Ninguém veio atrás de mim; nem sequer me viram sair.

O que me impelia, o meu único desejo, era aprender mais, compreender mais desse ensinamento. Parecia-me que não poderia compreender as explicações acerca de Deus. Não poderia compreender as explicações acerca da existência espiritual, pois tudo o que eu tinha conhecido antes era a existência material--o que podemos ver, sentir e ouvir com os nossos cinco sentidos.

Por isso procurei encontrar meu pai, que, naquela época, estava trabalhando no movimento de resistência a Hitler, e consegui conversar com ele numa rua durante meia hora. Disse-lhe muito rapidamente que tinha encontrado esse ensinamento e que o julgava extraordinário. Disse-lhe que tinha uma ânsia tremenda de descobrir mais alguma coisa sobre o assunto e necessitava imprescindivelmente que me desse algum dinheiro para procurar pessoas que pudessem explicar-me isso. Ele pensou que isso fosse algo de que nos devêssemos acautelar, mas deu-me o dinheiro solicitado. Essa foi a última vez que vi meu pai.

Peguei o dinheiro e adquiri um livrete postal especial, desses que se podem levar a qualquer agência de correio, e descontar a quantia desejada. E com o Arauto alemão na mão saí a procurar sistematicamente um Cientista Cristão que me ajudasse. Comecei a busca em Viena, e não pude encontrar ninguém senão a Senhora -------- que àquele tempo residia com a Princesa --------- em seu palácio, como dama de companhia. Ela estava disposta a ver-me.

Ela contou-me que o movimento da Ciência Cristã estava proibido--que os Cientistas Cristãos estavam proibidos de praticar, ou mesmo de falar acerca da Ciência Cristã no III Reich; que havia igrejas mas tinham sido fechadas, havia Salas de Leitura mas tinham sido fechadas. Ela achava que o melhor que eu poderia fazer era estudar, escutar e meditar. Assegurou-rne que o que Ciência e Saúde continha era a verdade, e que eu deveria prosseguir no estudo, secretamente, e não falar a respeito do assunto. Disse que não mais poderia ver-me.

Eu ainda sentia tal necessidade de falar a alguém, que decidi dirigir-me ao norte, à Alemanha Oriental, em busca de alguma das pessoas cujos nomes constavam da lista publicada no Arauto alemão. Finalmente fui a Breslau.

Devo dizer também que depois que saí do acampamento de prisioneiros eu não tinha cartão de identidade. No III Reich era absolutamente necessário ter-se cartão de identidade, porque as pessoas eram constantemente solicitadas a apresentá-lo, nos trens, nos bondes, nas ruas. Mas nunca me pediram documentos de identificação. Nunca me perguntaram de onde vinha ou o que andava fazendo, embora eu realmente estivesse numa idade na qual as pessoas tinham de trabalhar ou de estar empenhadas em alguma forma de esforço por ganhar a guerra. Também nunca tive cartão de racionamento de alimentação, porque só poderia obtê-lo mediante a apresentação do cartão de identidade. Mas sempre que necessitava eu obtinha uma refeição. Não tendo cartão de identidade, significava também que eu não podia ir para um hotel, ou para uma pensão. Mas naquele tempo a estação ferroviária possuía espreguiçadeiras bem confortáveis, porque todo mundo estava em movimento. Havia muitos soldados vindos da frente de batalha, muitas pessoas que tinham perdido suas casas em conseqüência de incursões aéreas, e um movimento contínuo de pessoas sem lar, de modo que era perfeitamente normal passar-se a noite numa estação de estrada de ferro e esperar outro trem. Ninguém jamais me fez perguntas.

A essas alturas, graças â leitura do livro-texto da Ciência Cristã eu adquirira a convicção de que Deus existe e de Sua grande solicitude em cuidar de nós, bem como de que podemos pedir-lhe conselho e orientação e que obteremos as respostas. Verifiquei que podia receber respostas bem claras e muito oportunas. Recordo-me de que em Breslau eu não tinha idéia alguma do Iugar para onde deveria ir . . . não sabia o que fazer. Por isso voltei-me a Deus e disse: que devo fazer agora? E veio-me o pensamento de que deveria ir a Berlim. Isso foi em 1943, quando os ataques aéreos eram muito freqüentes. Não obstante, segui a voz interior. Obtive uma passagem pelo trem noturno. Estava tudo às escuras, devido aos ataques aéreos, e a pessoa que estava mais próxima de mim era um soldado que acabava de regressar da frente de batalha da Rússia. O trem partiu, e enquanto estávamos ali de pé, hora após hora, ele começou a derramar todas as experiências que tivera na frente de operações.

Essa espécie de comunicação íntima, do fundo do coração, inspirou-rne a falar-lhe sobre a Ciência Cristã, a dizer-lhe que de algum modo eu sentia que isso era uma coisa extraordinária, porém que não tinha podido encontrar ninguém que me explicasse alguma coisa a respeito, e ainda assim eu tinha tido provas e, por isso, achava que tinha de ser verdadeira. Seria uma coisa tão maravilhosa, disse eu, se fosse verdadeira, e se eu pudesse achar alguém a quem falar, para descobrir se havia pessoas que realmente viviam esse ensinamento! E ele me disse: “Ciência Cristã! Ouvi falar disso em algum lugar. Você sabe, eu creio que tenho uma tia que tem uma amiga, e creio que essa amiga é Cientista Cristã, e seu nome é senhorita---------e reside em Rostock. Vá procurá-la. Acho que ela é Cientista Cristã”.

Por isso, depois de haver passado um dia em Berlim, em vários abrigos antiaéreos, voltei à estação e segui meu caminho para Rostock, cidade muito pequena, que fica a nordeste de Luebeck, no norte da Alemanha. Encontrei essa senhora. Residia no endereço que me fora dado. Àquele tempo ela estava na casa dos oitenta anos. Era uma pessoa encantadora. Não tinha medo. Era Cientista Cristã. Havia em Rostock um pequeno grupo informal de Cientistas Cristãos. Nunca haviam sido molestados, e seus livros nunca haviam sido apreendidos. Naquela ocasião eles não realizavam reuniões, mas possuíam toda a literatura. A referida senhorita disse que eu poderia voltar a conversar com ela, e que me daria qualquer dos livros que eu desejasse.

Por ela fiquei sabendo da existência do movimento da Ciência Cristã. Procurou responder a todas as minhas perguntas, e quando penso a seu respeito . . . o que realmente me impressionava era o seu aprumo, o amor que expressava e a absoluta ausência de medo. Ela fazia o que era justo, aquilo que ela sentia que era correto, apesar das ameaças--ela não recebeu ameaças pessoais, mas com isso quero dizer que era bem conhecida a proibição de se falar a respeito da Ciência Cristã.

Não podia hospedar-me porque estava morando com uma irmã num apartamento pequeno, mas disse-me que eu poderia ir lá e conversar com ela à hora que desejasse. Por isso achei que seria importante encontrar morada perto de sua residência, mas eu não poderia residir em hotel, nem em pensão ou coisa semelhante.

Então, como já se tornara meu hábito, parei na rua e perguntei a Deus o que devia fazer.

Fui inspirada a ir a uma loja de ferragens e comprar alguma coisa muito pequena. Ao entrar, cumprimentei o lojista à minha maneira austríaca. Dois cavalheiros que iam saindo imediatamente pararam. Tinham reconhecido meu sotaque austríaco. Perguntaram-me se eu era austríaca. Respondi-lhes que sim. Então disseram-me que também o eram e que se achavam trabalhando naquela cidade, em esforço de guerra. Eram nazistas, e tinham um carro. Perguntaram-me se poderiam fazer alguma coisa por mim, porque éramos compatriotas e aquela localidade do norte da Alemanha parecia muito distante da Áustria. E eu lhes respondi muito francamente que precisava de um lugar onde morar.

Pensando que podiam encontrá-lo, eles me levaram a Warnemuende, que é uma estação balnearia no Mar Báltico, onde havia muitas pensões e hotéis. Mas estavam todos vazios, porque todos os habitantes tinham sido evacuados. Era zona de guerra, e temia-se que os ingleses desembarcassem ali a qualquer momento. Por isso eles julgavam que eu poderia escolher qualquer pensão que desejasse para morar. Não obstante, quando nos dirigíamos àquele local--senti que o Amor novamente estava resolvendo as coisas--porque eles conversaram entre si e concluíram que não seria muito bom se fosse morar sozinha numa pensão. E lembraram-se de uma senhora de idade, proprietária de uma dessas pensões, e que se recusara a sair. Ela quis ficar onde sempre tinha vivido, e a polícia a deixara ali. Era a única habitante de Warnemuende naquele tempo. Levaram-me a ela e perguntaram-lhe se me poderia hospedar. Ela ficou muito contente por ter uma hóspede, e deu-me o melhor quarto que havia, no primeiro andar, com vista para os canais e o mar, uma grande e bonita cadeira para sentar e pensar e uma cama bela e confortável. Ali fiquei hospedada até perto de agosto de 1943, e ia a Rostock três ou quatro vezes por semana, para conversar com a senhorita ------------, e trazia novos livros seus, fazia longos passeios pela praia e para os ler.

Durante esse tempo eu sempre conseguia uma refeição, embora não tivesse cartão de racionamento. As vezes obtinha a refeição de maneira um tanto estranha. Certo dia me deram um cartão que me autorizava a receber pão durante um mês inteiro--entregaram-me, simplesmente, o cartão, e nunca mais vi essa pessoa. E noutra ocasião um policial parou e me perguntou--era um domingo, e eu estava caminhando pela praia com o meu livro--e ele me perguntou se eu já tinha comido, e eu disse-lhe que não. Então me falou de um lugar agradável onde serviam excelentes refeições. As refeições naquela época eram coisas de importância, porque não se conseguia comer com muita freqüência, com cartões de racionamento--quero dizer que não se conseguia comer coisas boas. Portanto, agradeci-lhe a informação e ele afastou-se. Eu sabia que não podia ir lá. Mas logo depois ele voltou em sua bicicleta e disse: “Lembrei-me de que você talvez não tenha os vales necessários”. E deu-me exatamente o bastante para a refeição. Destacou de seu bloco e me deu um vale para carne, um para pão, um para manteiga e outras coisas--o suficiente para aquela refeição. Nunca me esqueci disso, porque aí estava eu, sem cartão de identificação, e ele podia ter-me prendido; no entanto, me deu vales suficientes para comprar uma refeição. Foi uma temporada muito boa a que passei ali. Creio que aproveitei muito. Penso que o mar, a vastidão, a paz e a quietude me ajudaram muito a compreender a grandeza e a amplidão de Deus.

Pouco antes do fim de julho notei a presença dos dois moços que me haviam levado para aquele lugar. Estavam morando lá em outro ponto, e algumas vezes eu os encontrava na rua. Fizeram-me um número muito grande de perguntas e parecia olharem-me de modo estranho. Tive a impressão de que talvez fosse melhor ir-me embora. Já não me sentia mais completamente à vontade ou fora de perigo ali, de modo que, me despedi de minha senhoria e agradeci à senhorita -----pelas muitas horas que havia passado comigo, explicando-me a Ciência Cristã.

Quando saí de Rostock, fui a Hamburgo. Cheguei a Hamburgo pelo fim de julho de 1943. Naquela noite começou um ataque aéreo que durou uma semana. Creio que os ingleses atacavam de dia e os americanos de noite, ou ao contrário. Atacaram continuamente durante uma semana, até arrasar toda a cidade. O sofrimento era abominável. Tudo estava queimando. Essa foi a primeira vez que pude realmente provar a eficácia da Ciência Cristã. Fui levada a ler o Salmo 91. Somente mais tarde descobri que o Salmo 91 é o salmo da proteção. Naquele tempo eu não sabia isso, e não obstante foi nele que a Bíblia se abriu. Com o Salmo 91, não somente eu fui confortada e protegida, mas também as outras pessoas que se achavam em torno de mim foram confortadas e protegidas. Eu o li para elas num daqueles abrigos antiaéreos--aliás não era de fato um abrigo antiaéreo, e sim o porão de uma casa--e ficaram muito calmas e silenciosas. Mas então a casa desabou em cima de nós e também tivemos de abandonar aquele refúgio.

Deve ter sido na manhã seguinte, que era domingo (a fumaça era tão densa que nem víamos a luz do dia). Como o sofrimento era tão grande, senti que deveria me oferecer para ajudar. Encontrei uma equipe de jovens, algo semelhantes a escoteiros, mas tratava-se de uma organização formada por jovens nazistas. Eles iam aos porões, desenterravam as pessoas e as colocavam na rua. Quem quer que estivesse disposto a ajudar era posto em serviço. Era realmente como um serviço de enfermagem. O que devíamos fazer era ver se aquelas pessoas soterradas estavam vivas e, se estivessem vivas, lavar-lhes os olhos e o nariz-- tirar-lhes a terra para que pudessem respirar, e abrir-lhes os olhos. E se estivessem mortas, dirigir-nos logo à próxima. Tínhamos muito pouca água. Eu tinha apenas um cantil com água.

Eu havia estudado tanto, e sentia-me tão segura da presença de Deus, de Seu auxílio e Seu amor, que creio que a morte não tinha entrado realmente em meu pensamento. Ajoelhava-me perto da primeira vítima que encontrava e falava-lhe acerca de Deus, dizia-lhe que Deus era Vida, e que eles refletiam essa Vida. Eu apenas ajoelhava ali e falava até que abrissem os olhos. Então lhes lavava os olhos e o nariz e me dirigia à próxima vítima.

Havia ainda um outro grupo de pessoas trabalhando, e estas pegavam aqueles que abriam os olhos e que obviamente estavam vivos, e os colocavam num caminhão. Então o caminhão os levava de Hamburgo para as aldeias circunvizinhas, onde todas as casas estavam abertas para acolher e alimentar as pessoas procedentes de Hamburgo.

Lembro-me bem daquela extensa fila de pessoas deitadas no meio da rua, e de que havia duas fileiras de casas queimando. Eu apenas ajoelhava junto de cada um e lhe falava de Deus e da Vida, e tudo isso era muito natural. Eles abriam os olhos e então eu lhos lavava, e continuava com o próximo. Não sei quanto tempo isso durou . . . talvez um dia, talvez dois dias . . . e àquela altura, creio que era terça-feira, quando alguém me pôs num caminhão, também, e me disse. “Basta, para você”.

O caminhão nos levou para fora, e eu fui conduzida a uma pequena aldeia. Algumas pessoas me acolheram e alimentaram dando-me sucos para tomar. Todos nós tínhamos os lábios muito grossos devido a toda aquela fumaça, e os tornozelos inchados, mas, quanto ao mais, eu me sentia em perfeitas condições. Dormi durante a noite e na manhã seguinte acordei e quis ajudar, quis ajudar a fazer alguma coisa. Fui à Cruz Vermelha e perguntei se podia ajudar, e me disseram que sim, que eu podia. Puseram-me numa escola que fora convertida em hospital. Havia filas de pessoas deitadas no assoalho, a maioria com ferimentos provenientes de queimaduras, e havia um médico, duas enfermeiras e eu. Tínhamos 140 pessoas para cuidar—70 em cada pavimento. Minhas experiências nessa ocasião, ao poder confortar, ajudar e curar, mostraram-me lentamente a eficácia da verdade. Eu a punha em prática, eu a demonstrava.

Bem, o que vem agora é praticamente o final. Voltei a Viena, perto do fim do ano. Tinha então vinte e poucos anos. Havia me casado e meu marido achava-se na frente de batalha.

Na primavera de 1945, os russos vieram conquistar Viena. Tinham conquistado Budapeste, onde haviam lutado durante dois meses. Fora uma luta bastante horrível, com muita crueldade e barbarismo. A toda hora o rádio noticiava o que eles tinham feito e dizia que todos devíamos procurar estar fora do alcance deles antes que chegassem a Viena. Além disso, corriam multas histórias de boca em boca, porque muitos dos húngaros que vinham para o ocidente traziam consigo histórias de horror.

Contudo eu negava aquelas histórias simplesmente porque sentia que tudo o que era verdadeiro, era verdade em relação a todos, independentemente de nacionalidade, amigos ou inimigos. Eu estava disposta a não aceitar coisa alguma que não fosse a verdade, sob o ponto de vista da perfeita criação de Deus.

Mas, naturalmente, desejava sair de Viena, e certa manhã veio um amigo de meu marido, com um caminhão, e disse-me: “Depressa, depressa, empacote alguma coisa. Vou levá-la para o outro lado da fronteira. Vou levá-la para fora da Áustria, se possível, vou cruzar a fronteira para a Suíça”.

Isso, a princípio, me parecia maravilhoso, porque eu tinha sido criada na Suíça, país livre, onde não havia guerra. Isso bem me parecia um sonho. Então corri para dentro de casa, a fim de reunir algumas coisas para levar, pensando ser essa a resposta às minhas orações. Mas constantemente se me haviam deparado decisões grandes como essa. Estava tão habituada a voltar-me para Deus antes de fazer qualquer coisa, que me detive na entrada e disse, espontaneamente: “Que devo fazer?’ E com a rapidez da pergunta, veio logo a resposta: “De que você está fugindo? Não há inimigos”. Reconheci que na criação de Deus não há inimigos, e que não havia necessidade de fugir.

Voltei, pois, ao moço, e disse-lhe que não iria com ele, que ia ficar ali mesmo. Ele tentou persuadir-me. Naturalmente, como amigo de meu marido, julgava-se na obrigação de levar-me para um lugar seguro e pensava que eu estava sendo muito tola, estúpida. Mas fiquei, e senti-me perfeitamente certa de que havia feito bem em ficar. Naquele tempo eu sabia que ao ouvir a voz de Deus, eu a obedeceria, e fiquei. Com isso pude oferecer a casa a uma prima que havia perdido a sua, e a alguns outros, também.

Não tinha muitos víveres. Ninguém tinha muito o que comer naquele tempo. Entretanto, na esquina de minha rua, a umas poucas casas de distância, existia uma mercearia. E o merceeiro era um homem muito gordo, muito grande, que costumava vir ao meu apartamento em busca de paz, sossego e repouso. Era um tanto divertido, porque ele tinha duas vezes o meu tamanho e duas vezes a minha idade. Costumava vir e dizer: “Isto é como um oásis”. E cada vez que vinha trazia alguma coisa--um pão ou outra coisa qualquer. Outras pessoas que vinham também diziam: “Há tanta paz aqui”. E cada um trazia alguma coisa. Afinal, eu sempre tinha alimento suficiente para as pessoas a quem tinha de alimentar, inclusive para mim.

Houve muita luta nas ruas quando os russos chegaram. A maioria deles era constituída de russos asiáticos, de hábitos medievais. Quando chegavam a urna cidade, tinham completa liberdade de pilhar, devastar e fazer o que quisessem, durante três dias. Nem mesmo o comandante deles podia fazer coisa alguma para impedi-los de assim procederem, e comunicou à população de Viena que a única coisa que podíamos fazer era nos fecharmos em nossas casas. E houve muitos russos que vieram a minha casa, e eu não lhes tinha medo algum, tão convencida estava da verdade de que existe somente um homem, o homem feito à imagem de Deus.

Talvez viessem para roubar, mas acabavam exibindo uma daquelas danças russas para que minha prima e eu nos divertíssemos, e saíam batendo-nos nos ombros e chamando-nos de “Mamuschka” (Mãezinha). Portanto, a proteção foi realmente completa. E eles ainda traziam mantimentos, de maneira que tínhamos alimento suficiente para comer. Algumas das pessoas de nossa rua notavam isso e diziam: “Você e sua casa, você é a menina dos olhos de todos os russos”.

Eu ainda continuava lendo o livro-texto de capa a capa (essa era a quarta vez então). O desejo de conhecer mais acerca da Ciência Cristã fez-me sentir que logo que pudesse gostaria de ir à Inglaterra. Assim que tive a oportunidade, fui à Inglaterra, e naturalmente o povo inglês tinha-se revelado maravilhosamente firme e leal. Os Cientistas Cristãos ingleses permaneceram fiéis à verdade que haviam aprendido. Os testemunhos apresentados nas igrejas inglesas após a guerra eram simples mente maravilhosos, e eu tinha certeza de que a Ciência Cristã era a Verdade. Filiei-me então a uma igreja em Londres, e logo depois tornei-me membro d'A Igreja Mãe e fiz o curso de Ciência Cristã. Era isso o que tinha a relatar.

Sra. L. Adrienne Vinciguerra Santee, Califórnia



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