Prefácio
Certo apotegma de um filosofo do Talmud condiz com o meu ponto de vista do que é fazer o bem. Diz assim: Ä caridade mais nobre, consiste em evitar que um homem aceite caridade; e a melhor esmola é ensiná-lo e capacitá-lo a prescindir de esmolas".
Nos primórdios da história da Ciência Cristã, entre os milhares de meus estudantes, só poucos eram Abastados. Hoje, entretanto, os cientistas Cristãos não são indigentes; o seu bem-estar econômico é adquirido curando a humanidade, moral, física e espiritualmente. O cavalete do tempo nos apresenta quadros – outrora fragmentários e indefinidos – mas agora rejuvenescidos pelo toque da destra de Deus. Aonde antes se mesclavam alegria, tristeza, esperança, desilusão, suspiro e sorriso, agora, qual uma pomba, repousa a esperança.
Manter-se sereno e uniforme durante anos seguidos no meio da constante de tormentas, nuvens e tempestades, requer um vigorante do alto, -- profundos tragos da fonte do Amor divino. Poderia-se, em verdade, dizer: existe uma velhice do coração e uma juventude que jamais envelhece; um Amor que é um menino e uma Psique que permanece sempre mocinha. O frescor passageiro da juventude, entretanto, não é o sempre-verde da Alma, nem a glória colorida de um florescimento perpétuo, nem o esplendor e a grandeza espirituais de uma vida consagrada, na qual, tanto na adversidade como no triunfo, reina a paz sagrada e sincera.
Finalmente tem se me apresentado a oportunidade para aquiescer a um pedido reiteradamente feito; nominalmente, para reunir os meus escritos miscelâneos publicados no “The christian Science Journal” a partir de Abril de 1883 e republicá-los em forma de livro, acessível a consultas, qual antigos pontos de referência dignos de confiança. Devido ao muito que se exigia do meu tempo naqueles dias pioneiros, a maioria destes artigos foi originalmente escrita apressadamente, sem a dívida preparação. Aos já publicados, são aqui acrescentados alguns mais. Onde era absolutamente necessário, foram, em alguns artigos, acrescentadas datas, que servem de sinais de demarcação para indicar a distancia, ou a diferença, entre o então e o agora, relativamente as opiniões dos homens e ao progresso da nossa Causa.
Na minha assinatura, o meu nome de solteira, Mary Morse Baker, fora parcialmente modificado. Nos primeiros anos, a timidez me induziu a adotar, como autora, vários pseudônimos. Após o meu primeiro casamento, com o Coronel Glover, de Charleston, Carolina do Sul, deixei de usar o nome Morse e conservei o meu nome de solteira – pensando que, do contrário, meu nome seria muito comprido.
Em 1894 recebi das “Filhas da Revolução Americana” um certificado de filiação em nome de Mary Baker Eddy, e daí por diante adotei esta assinatura, salvo em relação as minhas obras já publicadas. A primeira edição de “Science and Health”(Ciência e Saúde) que, na data do seu lançamento, 1875, foi editada com direitos reservados sob o meu nome de Glover, ocasionou que segui retendo a inicial “G” nas minhas obras subsequentes.
Embora que estas páginas sejam uma reprodução daquilo que já havia escrito antes, elas ainda se adiantam a sua época e se encontram amplamente recompensadas pelo que já tem desfrutado para a humanidade. Enquanto nenhuma oferenda pode saldar a nossa gratidão para com Deus, o coração fervoroso e a mão disposta não Lhe são desconhecidos nem deixados sem a Sua recompensa.
Que este volume sirva ao leitor de guia gráfico, indicando-lhe o caminho, assinalando-lhe o invisível e capacitando-o a pisar em sendas virgens dos até agora inexplorados campos da Ciência. A cada periódico dia de festa o Cientista Cristão encontrará nestas páginas uma “migalha de sabedoria”, e queiram os passatempos temporais converter-se desta forma num guia para alegrias eternas.
Finalmente descobrir-se-á que o realismo ultrapassa a força da imaginação e que toda a literatura se ajusta a este realismo, absorvendo-o. O volante da intolerância religiosa cairá ao chão, caso faltam as raquetas que o lançam para cá e para lá. É motivo de regozijo que a “vox populi” se inclina a conceder-nos paz, juntamente com o perdão pelas batalhas preliminares que foram necessárias para alcançá-la.
Em recordações, o pensamento caminha as vezes com tenro passo através dos obscuros corredores dos anos até velhos campos de batalhas contemplando ali com pesar o lugar dos abatidos e as baixas do inimigo. Ao recompilar esta obra, tenho tentado remover os cunhos pioneiros, e as insígnias de guerra, conservando a partir desta data os privilegiados armamentos da paz.
Armada desta forma, continuo a marcha, transmitindo ordens e contra-ordens, intercalando ao mesmo tempo, com pensamentos de amor, este epilogo da batalha. Fortalecida e animada, pego a minha pena e minha foice, para “não aprender mais a guerra”(Isaías 2:4), e com poderosas asas elevar os meus leitores acima da fumaça do conflito para a luz e a liberdade.
MARY BAKER EDDY
Concord, New Hampshire
Janeiro de 1897
ESCRITOS MISCELÂNEOS
CAPÍTULO I
Introdução
PERSPECTIVA
Os antigos gregos aguardavam ansiosamente as Olimpíadas. Os caldeus vigiavam o aparecimento de uma estrela; para eles não havia, no firmamento do ser, destino mais nobre do que aquele prefigurado por sinais nos céus. O dócil Nazareno, o escarnecido por todos os zombadores, disse: “Sabeis discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos”? (Mat. 16:3), -- pois ele pressentiu e previu a provação que exigiria um cristianismo perfeito, odiado pelos pecadores.
Para acender em todas as mentes uma centelha de gravitado, é necessário compreender a nova idéia da Verdade infinita que vem surgindo. O vidente desta época deveria ser um sábio.
A humildade é o degrau de acesso para um reconhecimento mais elevado da Divindade. A consciência, ao elevar-se, acumula renovadas formas e um singular brilho das cinzas de um desvanecendo eu, deixando o mundo para trás. A brandura só realça os atributos imortais quando o mundo se remove o pó que os ofusca. A bondade revela uma outra cena e um novo eu, aparentemente envoltos em sombras, mas trazidos à luz pelas evoluções do pensamento progressivo, graças ao qual discernimos o poder da Verdade para curar o enfermo.
O orgulho é ignorância; os que melhor se adaptam, são aqueles que possuam menos sabedoria ou experiência; eles a roubam do seu próximo porque possuem tão pouco do que podem chamar seu próprio.
Os sinais destes tempos pressagiam uma longa e firme determinação da humanidade de agarrar-se ao mundo, a carne e ao mal, causando com isto um grande obscurecimento espiritual. Quando temos presente de que Deus é justo e admitimos a total depravação dos mortais, alias da mente mortal, -- e admitimos que este legado de Adão deve primeiro ser reconhecido para então ser subjugado e recompensado pela justiça, o eterno atributo da Verdade, -- a perspectiva exige trabalho, mas os trabalhadores parecem ser poucos. Hoje em dia só percebemos o primeiro vislumbre de um cristianismo mais espiritual, que abrange uma filosofia mais profunda e mais ampla, bem como um sistema de cura mais racional e divino. Aproxima-se o dia em que a Vida, a Verdade e o Amor divinos serão reconhecidos como sendo o único remédio para o pecado, a doença e a morte; é quando Deus, o princípio salvador do homem, e Cristo, a idéia espiritual de Deus, serão revelados.
A provação que o homem experimentará após a morte é imprescindível para a sua imortalidade, pois o bem não morre e o mal destrui-se a se mesmo; por isso o mal deve ser mortal e destruir-se a si mesmo. Se o homem não progredisse após a morte, mas permanecesse no erro, inevitavelmente se aniquilaria a si mesmo. Aqueles sobre os quais ä Segunda morte não tem autoridade” (Apoc. 20:6) são os que aqui e no além se afastam progressivamente do mal, o seu elemento mortal, aproximando-se do bem que é imortal; assim se desfazem das crenças materiais que lutam contra o Espírito e aceitam os elementos espirituais da Ciência divina.
Embora mantemos decididos pontos de vista sobre qual seja o melhor método de elevar a raça humana física, moral e espiritualmente, e embora expressaremos estes pontos de vista segundo no-lo exija o dever, não pretenderemos reclamar um Dom especial que provenha da nossa origem divina, nem poder sobrenatural algum. Se considerarmos o bem como algo mal natural do que o mal, e reconheceremos a compreensão espiritual – o verdadeiro conhecimento de Deus – como sendo o único poder para curar o doente e o pecador, então demonstraremos em nossa própria vida o poder da Verdade e do Amor.
As lições que aprendemos na Ciência divina são aplicáveis a todas as necessidades do homem. Jesus as ensinou precisamente com este propósito e sua demonstração nos tem ensinado que “pelas suas pisaduras” (Isaías 53:5) – sua experiência da vida – e pela Ciência divina, trazida à compreensão através do Cristo, o revelador do Espírito, o homem é curado e salvo. Nem opiniões de mortais nem hipóteses humanas cabem nesta maneira de pensar ou atuar. Medicamentos, matéria inerte, jamais são necessários para ajudar o poder espiritual. A higiene, a manipulação e o mesmerismo não são a medicina da Mente. O Princípio de toda a cura é Deus, a Mente infalível e imortal. Temos aprendido que o pensamento errado ou mortal toma a si todo o pecado, doença e morte, e transmite estes estados ao corpo, enquanto que a Mente suprema e perfeita, como é reconhecida na verdade do ser, é um antídoto que destrói estes elementos materiais de pecado e morte.
Porquanto deus é supremo e onipotente, a matéria médica, a higiene bem como o magnetismo animal, são impotentes e a sua única suposta eficácia consiste em aparentemente enganar a razão, negando a revelação e destronando a Divindade. A tendência da cura mental é a de elevar a humanidade; mas, uma vez pervertido este método, significa “Satanás solto” (Apoc. 20:7). Daí a rigorosa demanda pela Ciência da psicologia, para enfrentar o pecado, desmascará-lo, e assim aniquilar a alucinação.
O pensamento imbuído de pureza, Verdade e Amor, e instruído na Ciência da cura metafísica, é o agente curativo mais potente e desejável sobre a terra. Nesta época existe uma marcada tendência por parte da mente mortal de fundamentar a cura mental na base do hipnotismo, denominando este método “ciência mental”. Toda Ciência é Ciência Cristã: a Ciência da Mente, que é Deus, a do universo como Sua idéia e da relação que existe entre ambas. O único poder curativo deste Ciência é o seu poder para fazer o bem, não o mal.
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UMA PUBLICAÇÃO OPORTUNA
Nesta data, 1883, a edição e a publicação de um jornal pelos Cientistas Cristãos, tornou-se uma necessidade. Muitas perguntas que merecem atenção chegam ao colégio e aos estudantes praticantes, porem, pouco tempo tem sido dispensado para responde-las. Um maior esclarecimento tornou-se indispensável para a época e um periódico dedicado a esta tarefa parece ser o único meio adequado para satisfazer esta necessidade. Grande interesse tem suscitado e tem sido expressado sobre o tema da cura metafísica, mas muita gente o confunde com certos ‘”ismos”, mesmo com incredulidade, de maneira que a sua particularidade religiosa e a imensidade do seu valor não são compreendidos.
Freqüentemente é dito: “Você deve Ter uma grande força de vontade para poder curar”, ou “Poder fazer as demonstrações que você faz, deve requerer um imensa fé’. Quando se lhes responde que não é força de vontade o que se necessita e que é requerido algo mais do que fé, mostram-se incrédulos. A missão da Ciência Crista não é somente a de curar os enfermos, mas a de destruir o pecado no pensamento mortal. Este trabalho, bem feito, elevará e purificará o gênero humano. Não pode falhar, se lhe dedicarmos o melhor das nossas energias.
A Ciência revela o homem como espiritual, harmonioso e eterno. Isto deveria ser compreendido. Nosso Colégio deveria estar repleto de estudantes dispostos a consagrar-se a esta obra crista. Através do estudo deste método cientifico de praticar o cristianismo, mães deveriam ser capazes de transmitir aos sus filhos uma completa saúde e perfeitos princípios morais – e aos eclesiásticos, a curar os doentes. Muitos dizem: Eu gostaria de estudar esta Ciência, mas não acredito suficientemente que tenha o poder para curar”. O poder sanador é a Verdade e o Amor, e estes não falham nem nas maiores emergências.
A “matéria médica” afirma: “Não posso fazer mais. Fiz tudo o que podia ser feito. Não existe mais nada em que possa me apoiar. Não há razão alguma para abrigar esperanças”. Então intervém a metafísica, armada com o poder de Espírito, não com o da matéria, e cheia de esperança se encarrego do caso, edifica sobre a pedra que foi rejeitada pelos construtores e triunfa.
A terapêutica metafísica pode parecer um milagre e um mistério unicamente para aqueles que não compreendem a grandiosa realidade de que é a Mente que governa o corpo. Eles reconhecem que existe uma mente errada ou mortal, mas crêem que ela esteja na massa encefálica. Que o homem é a idéia da mente infinita, sempre perfeito em Deus, na Verdade, na vida e no Amor, é algo que o pensamento mortal não aceita facilmente, oprimido que está por crenças materiais. Aquilo que nunca existiu, pode parecer a este pensamento uma substancia sólida. Às pessoas é muito mais fácil acreditar que o corpo afeta a mente do que crer que a mente afeta o corpo.
Dos púlpitos ouvimos dizer que a enfermidade é enviada ao homem a fim de, a título de disciplina, traze-lo mais perto de Deu, -- mesmo que as vezes a enfermidade deixa pouco tempo aos mortais livre de queixas e irritação. E Jesus expulsou a doença por se um mal.
A maioria dos nossos praticistas da Ciência Cristã tem bastante trabalho, mas muito mais são necessários para o progresso da humanidade. Na atualidade, a maior parte dos casos agudos é entregue aos médicos, e só aqueles casos considerados incuráveis são transferidos ao Cientista. A cura de tais casos deveria na realidade provar a todas as mentes o poder da metafísica sobre a física; e seguramente ela o prova para muitos pensadores, como o demonstra o rápido crescimento da obra. Em um futuro não distante, a cura crista ultrapassará amplamente a alopatia e a homeopatia, pois a Verdade deve, em última análise, triunfar onde o erro fracassa.
A Mente governa tudo. Que nós existimos perfeitos em Deus, não há dúvida alguma, pois as concepções da Vida, da Verdade e do Amor devem ser perfeitos e mediante esta verdade básica vencemos a doença, o pecado e a morte. Muitas vezes, para vencer a fé do paciente em medicamentos e higiene pessoal, isto requer tempo; mas, estando ele um vez convencido da inutilidade destes métodos materiais, o progresso é rápido.
É um fato evidente que existem mais enfermidades nas famílias que obedecem estritamente leis de saúde, que dispensam grande precaução relativo a dietas e onde a conversação se concentra principalmente à respeito de doenças corporais. Exemplificando, tome uma família com muitos filhos, onde a mãe não tem mãos a medir para vesti-los e alimentá-los e onde a saúde é regra geral; enquanto que em famílias pequenas, de um ou dois filhos, a doença não é de nenhuma maneira a exceção. A estes filhos não é permitido comer certos alimentos, nem respirar o ar fresco, porque há perigo nele; quando transpiram, são obrigados a estar abrigados em excesso até que os seus corpos estejam secos, -- e a mãe de um filho está muitas vezes mais ocupada do que a de oito.
Muita caridade e humildade são necessárias nesta obra de cura. Precisamos esforçar-nos para emular a amorosa paciência de Jesus. O mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 19:19), deve ser exemplificado diariamente e, mesmo que o ceticismo e a incredulidade predominem onde menos são esperados, isto não causa dano, pois, servindo a Cristo, a Verdade, o que pode valer a opinião mortal? Não lanceis as vossas pérolas ante os porcos, mas quando não podeis oferecer paz a todos, podereis oferece-la a muitos, se em Sua vinha sois trabalhadores fiéis.
Dando uma olhada nos jornais do dia, chegamos a pensar que, de tão carregado com doenças que parece estar o próprio ar, viver é perigoso. Estas descrições infundem temores em muitas mentes no sentido de que, em alguma época futura, chegam a exteriorizar-se no corpo. Uma publicação periódica de nossa propriedade contra-atacaria de certa forma este atentado ao publico, pois, por meio do nosso jornal e pelo perco que será editado, poderemos penetra em muitas residências com uma mensagem sanadora e purificadora. Um grande trabalho já foi desenvolvido e um maior ainda resta por se feito.
Muitas vezes se no é negado o resultado da nossa obra porque as pessoas não compreendem a natureza e o poder da metafísica; crêem que a saúde e a resistência deveriam ser recuperadas naturalmente e sem qualquer assistência. Isto não se deve tanto por falta de justiça, como pelo fato de a opinião publica não estar suficientemente esclarecida sobre este importante tema. É dispensada mairo atenção as ilusões materiais do que aos fatos espirituais. Se nos é possível ajudar a mitigar o sofrimento e a reduzir o pecado, já teremos logrado muito, mas se conseguirmos transmitir às pessoas em geral a grande, verdade de que os medicamentos não produzem nem podem produzir a saúde e a harmonia, já que “Nele (a Mente) vivemos, e nos movemos, e existimos”(Atos 18:28) então teremos realizado algo mais.
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AMAI A VOSSOS INIMIGOS
Quem é o teu inimigo a quem deves amar? É ele um ser vivente ou um objeto da tua própria criação?
Podes ver um inimigo, a não ser que primeiro lhe dê forma e em seguida contemplas este objeto da tua própria imaginação? O que é que te causa mágoa? Pode alguma altura ou profundidade, ou qualquer outra criatura, separar-te do Amor que é o onipotente bem, -- que abençoa infinitamente, tanto a um como a todos? Simplesmente considere como teu inimigo tudo quanto profane, deforme e destrone a imagem do Cristo que deverias refletir, tudo aquilo que purifica, santifica e consagra a vida humana não é um inimigo, por mais que possamos sofrer com isto. Shakespeare escreveu: “Doce é o fruto da adversidade”. Jesus disse: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós: ... pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”. (Mat. 5:11, 12) A lei hebraica, com os seus “Não terás”, “Não farás”, etc., suas exigências e ameaças, só pode ser cumprida por meio desta benção do evangelho. Então, “Bem-aventurados sois”, a tal ponto que a consciência do bem, da graça e da paz é alcançada mediante a aflição bem compreendida, santificada pela purificação que traz à carne, -- ao orgulho, à ignorância acerca de si mesmo, à obstinação, ao egoísmo e à autojustificação. Doces, realmente, são estes empregos da Sua vara! Bom é que o Pastor de Israel conduz todo o seu rebanho ao Seu redil debaixo de Sua vara, arrolando-o com isso e, por último, protegendo-o contra os elementos terrenos.
“Amai os vossos inimigos” (Mat. 5:44) é idêntico a “Não tens inimigos”. Como esta conclusão se relaciona com aqueles que te odiaram sem causa? Simplesmente porque estes infortunados indivíduos são virtualmente teus melhores amigos. Do principio ao fim, eles estão te proporcionando muito mais do que podes, com o teu presente conceito, captar do bem.
Aqueles, a quem chamamos de amigos, parecem adoçar a taça da vida e enchê-la com o néctar dos deuses. Erguemos esta taça aos lábios, saboreamos o vinho tentador, nos embriagamos; tornamo-nos letárgicos, sonhadores, objetos da auto- satisfação. Entretanto, se o conteúdo desta taça de prazer humano egoísta perder o seu sabor, voluntariamente o colocamos de lado, por considerá-lo insípido e indigno das aspirações humanas.
E por que não seguimos desfrutando desta sensação efêmera, com as suas deliciosas formas de amizade, através das quais os mortais são educados a encontrar satisfação em prazeres pessoais e atraídos para uma paz traiçoeira? Porque este é o grande e único perigo na trilha que segue para o alto. Um falso conceito do que constitui a felicidade é mais desastroso para o progresso humano do que tudo o que algum inimigo ou alguma inimizade possa impor à mente ou implantar em seus propósitos e em suas realizações, para impedir as alegrias da vida e aumentar as suas tristezas.
Não temos inimigos. Tudo o que a inveja, o ódio e a vingança – os mais desapiedados motivos que governam a mente mortal—tudo o que estes tentam ocasionar, deverá “cooperar par o bem daqueles que amam a Deus”. (Rom. 8:28)
Por quê?
Porque Ele chamou os Seus, os armou, equipou e lhes proveu com uma defesa inexpugnável. Seu Deus não permitirá que se percam; se caírem, levantar-se-ão de novo, mais fortes do que antes do tropeço. Os bons não podem perder o seu Deus, seu socorro na angústia. Se interpretarem mal o comando divino, corrigirão o equívoco, darão contra-ordem, volverão seus passos e restabelecerão os Seus regulamentos para prosseguirem com maior segurança. A melhor lição de suas vidas é alcançada na luta contra a tentação, contra o medo e contra as investidas do mal, já que, com isto, a sua força é experimentada e evidenciada; já que, com isto, comprovaram que esta força se tornou poderosa na fraqueza e que o seu temor se imolou a si mesmo.
Esta destruição é uma quimicalização moral, na qual as coisas velhas passam e tudo é tornado novo. Assim, são aniquiladas as tendências mundanas ou materiais das afeições e dos interesses humanos, e este é o advento da espiritualização. O céu desce à terra e os mortais, afinal, aprendem a lição: “Eu não tenho inimigos”.
Mesmo admitindo, você tem tão-somente um só inimigo (e, na realidade, nem este), e este é você mesmo—a sua crença errônea de que você tenha inimigos, de que o mal seja real, de que na Ciência exista algo mais do que o bem. Mais cedo ou mais tarde, teu inimigo despertará da sua ilusão para sofrer pela sua má intenção; para descobrir que, embora frustrado, seu castigo é dez vezes maior.
O amor é o cumprimento da lei: ele é graça, misericórdia e justiça. Antes eu acreditava que seria suficientemente correto cumprir as leis do país; que se um homem atentasse contra a minha vida apontando para o meu coração e eu, atirando primeiro, pudesse matá-lo, estaria no meu direito. Eu também acreditava que, se eu ensinasse gratuitamente a alunos sem recursos, ajudando-os depois pecuniariamente, e que se não cessasse de ensinar aos vacilantes ao aproximar-se o término do curso, mas acompanhando-os com preceito sobre preceito; que, se as minhas instruções os tivessem curado e lhes mostrado o caminho seguro da salvação, -- eu teria cumprido todo o meu dever para com os alunos.
O Amor não mede com a régua da justiça humana, mas com a da misericórdia divina. Se a nossa vida fosse ameaçada e se somente pudéssemos salvá-la de acordo com a lei comum em vigor, isto é, tirando a vida do outro, preferiríamos sacrificar a nossa? Devemos amar a nossos inimigos em todas aquelas manifestações nas quais e pelas quais amamos a nossos amigos; devemos até procurar não expor as suas faltas, mas causar-lhes o bem, cada vez que se apresente a oportunidade. Quando medimos aqueles que nos perseguem e nos injuriam com a régua da justiça humana, não estamos deixando toda a retaliação aos cuidados de Deus, nem estamos recompensando maldição com benção. Se não se apresentar uma oportunidade especial para proporcionar o bem a nossos inimigos, podemos incluí-los no nosso esforço usual em benefício de toda a raça humana. Porquanto, posso proporcionar bastante bem geral àqueles que me odeiam, faço-o com um especial e zeloso cuidado—já que não me permitem fazê-lo de outra forma; embora, com lagrimas nos olhos, tenha-me esforçado para tanto. Quando fui golpeada numa face, eu também apresentei a outra: só tenho duas para apresentar.
Eu gostaria de, prazerosamente, estender a mão a todos aqueles que não me amam e dizer-lhes: “Eu os amo e não os magoaria propositadamente”. Exatamente porque assim o sinto, eu digo a outros: Não odieis a ninguém, pois o ódio é um foco de infecção que propaga o seu vírus e acaba por matar. Se nos entregamos ao ódio, ele nos domina; ao seu possuidor, traz sofrimento sobre sofrimento a cada momento e além-túmulo. Se foste profundamente injustiçado, perdoa e esquece: Deus recompensará esta injustiça e a castigará, mais severamente do que tu poderias fazê-lo, aquele que propositadamente procurou injuriar-te. Jamais retribua mal com mal e, sobretudo, não suponhas que foste injuriado, quando na realidade não o foste.
O presente é nosso; o futuro, pleno de acontecimentos. Cada homem e cada mulher deveria ser, hoje em dia, uma lei para si mesmo e para si mesma, -- uma lei de lealdade ao Sermão da Montanha de Jesus. Os meios para pecar secreta e impunemente têm aumentado de tal forma que, a não ser que nos mantenhamos alertas e firmes no Amor, nossas tentações para pecar centuplicar-se-ão. Nesta época, a mente mortal trabalha silenciosamente no interesse de ambos, do bem e do mal, da maneira menos reconhecida; daí a necessidade de estarmos alertas e daí o perigo de cedermos a uma tentação por causas que, em períodos anteriores à historia humana, não existiam. A ação e os efeitos desta assim chamada mente humana com os seus argumentos silenciosos, ainda estão para serem desmascarados e sumariamente tratados pela justiça divina.
Na Ciência Cristã, a lei do Amor alegra o coração, e o Amor é Vida e Verdade. Tudo quanto manifeste o contrário nos seus efeitos sobre o gênero humano, demonstravelmente, não é Amor. Deveríamos avaliar o amor que sentimos por Deus pelo amor que sentimos pelo homem; e a nossa compreensão da Ciência será avaliada pela nossa obediência a Deus—no cumprimento da lei do Amor, fazendo o bem a todos, partilhando a Verdade, a Vida e o Amor tanto quanto nós mesmos os refletimos, a todos os que se encontram dentro do raio da nossa atmosfera de pensamentos.
A única justiça, para a qual me sinto capaz presentemente, é a da misericórdia e a da caridade para com todos, --justamente tanto quanto cada um e todos mos permitam expressar estes sentimentos—com um cuidado especial para não imiscuir-me em assuntos alheios.
A falsidade, a ingratidão, o julgamento incorreto e a severa retribuição do bem com o mal—sim, as injustiças reais (se é que a injustiça pode ser real) que tenho suportado por muito tempo por parte de outros—têm me compelido, de uma forma muito feliz, à lei de amar a meus inimigos. A todos os Cientistas Cristãos recomendo agora para que dispensem séria consideração a esta lei. Jesus disse: “Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam”. (Lucas 6:32)
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TEÍSMO CRISTÃO
A teologia escolástica elabora a proposição de que o mal é um fator do bem e que é essencial crer na realidade do mal para obter um sentido cabal da existência do bem.
Esta frágil hipótese fundamenta-se sobre a base da evidencia material e mortal—somente naquilo que os inconstantes sentidos mortais confirmam e a frágil razão humana aceita. A Ciência da Alma inverte esta proposição, derruba a evidencia dos errados cinco sentidos e revela em uma divinização mais clara a única existência do bem, a saber, a de Deus e de Sua idéia.
É somente necessário admitir este postulado da Ciência divina para ter a oportunidade de comprovar a sua exatidão e discernir mais claramente o bem.
Verifique o significado do vocábulo anglo-saxão Deus, e verá que significa o bem; então defina o bem como Deus e verás que o bem é onipotência, que tem todo o poder; ele preenche todo o espaço, por ser onipresente; por isso, não sobra espaço nem poder para o mal. Afaste, então, do teu pensamento o conceito mortal e material que contradiz a onipresença e a onipotência do bem; admita unicamente as realidades imortais que incluem aqueles, e onde poderás ver ou sentir o mal, ou encontrar que a sua existência é necessária tanto para a origem como para a finalidade do bem?
Sustenta-se com firmeza que, do seu estado original de perfeição, o homem caiu na imperfeição e que esta requer o mal para desenvolver o bem. Se admitíssemos esta vaga proposição, a Ciência do homem jamais poderia ser estudada, pois, para aprender a Ciência, começamos pelo enunciado correto, com a harmonia e o seu Princípio; se o homem perdeu o seu Princípio e a harmonia deste, ele não poderia, através das evidencias diante dele, conhecer os fatos da existência e seus concomitantes; em virtude disso, para ele, o mal é tão real e eterno quanto o bem, Deus! Esta horrível decepção é o árbitro e o império do mal, que o bem, Deus, uma vez compreendido, forçosamente destrói.
A existência do mal, que do ponto de vista dos mortais parece ser necessária, é demonstrada pela lei do opostos como sendo desnecessária. O bem é o Princípio primitivo do homem, e o mal, o oposto do bem, não tem Princípio e não é nem pode ser o derivado do bem. Portanto, o mal não é nem um primitive nem um derivado, mas uma hipótese; em outras palavras, uma mentira que é incapaz e ser provada—por isso o mal é totalmente duvidoso.
A Ciência da Verdade aniquila o erro, despoja o mal do todo poder, destruindo assim todo erro, pecado, doença, moléstia e morte. Mas o pecador não está protegido do sofrimento que cause o pecado: ele faz do mal uma grande realidade, identifica-se com ele, imagine que encontra prazer nele e colherá o que semeia; assim o pecador tem que suportar os efeitos de sua própria ilusão até que desperte dela.
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O NOVO NASCIMENTO
São Paulo refere-se ao novo nascimento como: “a espera da adoção, a redenção do nosso corpo”. O grande Profeta Nazareno disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. (Mat. 5:8) nada que não seja a espiritualização—sim, a cristianização mais elevada—de pensamento e desejo, pode dar a verdadeira percepção de Deus e da Ciência divina, que resulta em saúde, felicidade e santidade.
O novo nascimento não é obra de um momento. Começa com momentos e prossegue por anos; momentos de submissão a Deus, de confiança como a de uma criança e de prazerosa adoção do bem; momentos de auto-abnegação, auto-consagração, esperança celestial e amor espiritual.
O tempo pode dar início ao novo nascimento, mas não pode completá-lo; isto é obra da eternidade, pois o progresso é a lei da infinidade. Só por meio de dolorosa agonia da mente mortal pode a alma, como sentido, ser acalmada, e o homem despertar à Sua semelhança. Que pensamento iluminado de fé! Que os mortais podem despojar-se do “velho homem”, até descobrir-se o homem como imagem do bem infinito que denominamos Deus, e apareça a plenitude da estrutura do homem em Cristo.
No homem mortal e material, a bondade parece estar só no embrião. Através do sofrimento, por causa do pecado e do gradual desaparecimento do sentido mortal e material do homem, o pensamento desenvolve-se em um cristianismo nascente, e, alimentando-se inicialmente com o leite da Palavra, ingere as doces revelações de uma nova Vida e um novo Amor mais espirituais. Estes alimentam a ávida esperança, satisfazem em grau elevado a ânsia por imortalidade e de tal forma consolam, alegram e abençoam o homem, que exclama: Nesta minha infância, isto é uma parcela suficiente do céu que desce à terra. Porém, a medida que alcancemos a maioridade no cristianismo, descobrimos quanto falta e que ainda é necessário para tornar-nos totalmente semelhantes a Cristo, que dizemos: O Princípio do Cristianismo é infinito; ele realmente é Deus; e este Princípio infinito requer infinitas exigências do homem, exigências que são divinas, não humanas; e a habilidade do homem para satisfazê-las provém de Deus, pois, sendo sua imagem e semelhança, o homem deve refletir o pleno domínio do Espírito—e com isto a sua supremacia sobre o pecado, a doença e a morte.
Isto significa, pois, o despertar do sonho da existência da vida na matéria, a grande realidade de que DEUS É A ÚNICA VIDA; em conseqüência do que, devemos admitir um conceito mais elevado tanto de Deus como do homem. Devemos reconhecer que Deus é infinitamente mais do que uma pessoa, ou uma forma finita, possa conter; que Deus é uma divina Totalidade, é tudo, uma oni-impregnada inteligência e Amor, um divino, infinito Princípio; e que o cristianismo é uma Ciencia divina. Esta recém-despertada consciência é totalmente espiritual; emana da Alma e não do corpo, e é o novo nascimento que começa na Ciência Cristã.
Agora, querido leitor, pausemos juntos por um instante para contemplarmos seriamente esta recém-nascida alteza espiritual, pois, esta afirmação requer demonstração.
Aqui estas frente a frente com as leis do Espírito, infinito, contemplando pela primeira vez o irreversível conflito entre a carne e o Espírito. Te encontras ante as horríveis detonações do monte Sinai. Ouves e registras os estrondos da lei espiritual da Vida que se opõe a lei material da morte; a lei espiritual do Amor, que se opõe ao sentido material do amor; a lei da harmonia e do bem onipotentes, oposta a qualquer suposta lei de pecado, doença ou morte. E, antes que se tenham extinguidas as chamas neste monte da revelação, te descalças, tal como o patriarca de antanho, -- pões de lado os teus impedimentos materiais, opiniões e doutrinas humanas, renuncias à tua religião mais material, com os seus rituais e suas cerimonias, livras-te da tua “matéria médica” e higiene, por serem piores do que inúteis—para sentar-te aos pés de Jesus. Nesse caso, te inclinas humildemente ante o Cristo, a idéia espiritual que o nosso grande Mestre nos trouxe do poder de Deus para curar e salvar. Então acontece que contemplas pela primeira vez o Principio divino que redime o homem da maldição do materialismo, -- pecado, doença e morte. Este nascimento espiritual revela à compreensão extasiada uma concepção mais elevada e mais sagrada da supremacia do Espírito, e do homem como Sua semelhança, por meio da qual o homem reflete o poder divino para curar os enfermos.
Um nascimento material ou humano é a aparição de um mortal, não da de um homem imortal. Este nascimento é mais ou menos prolongado e doloroso, de acordo com as circunstancias oportunas ou inoportunas, segundo às condições normais ou anormais que o acompanham.
Com o nascimento espiritual, a existência primitiva, impecável e espiritual do homem desponta no pensamento humano, -- através da agonia da mente mortal, de uma esperança frustrada, do perecível prazer e das se acumulando dores dos sentidos, -- mediante o qual se perde o conceito de si mesmo como matéria, e se adquire um sentido mais verdadeiro do Espírito e do homem espiritual.
A purificação ou a repetido batismo pelo Espírito, desenvolve, passo a passo, a semelhança original do homem perfeito, e apaga o signo da besta. “O Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:6); portanto, regozije-se na tribulação e acolha com alegria estes sinais espirituais do novo nascimento sob a lei e o evangelho do Cristo, a Verdade.
As proeminentes leis que ativam o nascimento na divina ordem da Ciência, são estas: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3); e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 19:19).
Traduzidos para a nova língua, ao seu sentido espiritual, estes mandamentos de infinita sabedoria significam: Amarás unicamente e Espírito, em toda a sua qualidade deifica, ainda que em substancia, e não o seu oposto; te reconhecerás unicamente como filho espiritual de Deus, e reconhecerás o verdadeiro homem e a verdadeira mulher, os todo harmoniosos “macho e fêmea”, como de origem espiritual, o reflexo de Deus, -- portanto, como filhos de um mesmo Pai, -- no qual e pelo qual Pai, Mãe e filho são o Princípio divino e idéia divina, sim, o divino “Nós”—um no bem e o bem em Um.
Com este reconhecimento, o homem jamais poderá separa-se do bem, Deus; e abrigará, necessariamente, um amor constante para com o seu próximo. Só quando admitimos o mal como sendo uma realidade, entrando consequentemente num estado de maus pensamentos, acreditamos poder separar o bem-estar de um homem daquele de toda a família humana e, desta forma, tentar separar a Vida de Deus. Este é o equívoco que nos causa muito arrependimento e que deve ser superado. Não saber o que nos está abençoando, mas acreditar que algo que Deus envia é injusto—ou que Ele ordena aos Seus emissários a causar-nos injustiça—está errado e é cruel. A inveja, os maus pensamentos, maledicência, a avareza, a luxúria, o ódio e a malícia sempre fazem mal, quebrarão a regra da Ciência Crista e impedirão a sua demonstração; mas a vara de Deus e a obediência exigida de Seus servidores, para levar a cabo o que Ele os ensina, jamais são inclementes, jamais imprudentes.
A tarefa de curar os doentes, é muito mais fácil do que ensinar o Princípio divino e as regras da Ciência Crista de tal forma que elevem os afetos e os motivos dos homens, para que aceitem estas regras e este Princípio e os demonstrem na vida diária. Aquele que escolheu o nome de Cristo, que virtualmente aceitou as exigências divinas da Verdade e do amor na Ciência divina, diariamente se afasta do mal; e todos os esforços iníquos de supostos demônios, jamais podem mudar o curso daquela vida que flui invariavelmente a Deus, sua fonte divina.
Porém, o mais espantoso pecado que os mortais podem cometer é usar o libre do céu para come ele cobrir a iniquidade. Eu teria mais confiança em um médico honesto que, com o seu tratamento atua de acordo com as suas declarações e seus conhecimentos, segundo o seu mais alto critério, para curar-me, do que poderia ou quereria Ter em um hipócrita lisonjeiro ou um mal-praticista mental.
Entre as forças mentais centrípetas e centrífugas de gravitações materiais e espirituais, nós entramos no ou saímos do materialismo, ou seja, do pecado, e escolhemos assim o nosso rumo e seus objetivos. Qual, então, será a nossa escolha: o pecaminoso, material e perecível, ou o espiritual, proporcionador de alegria e eterno?
O sentido espiritual da Vida e seus nobres propósitos são em si mesmo um benção que proporciona saúde e inspira regozijo. Este sentido da Vida ilumina a nossa senda com o esplendor do Amor divino; cura o homem espontaneamente, moralmente e fisicamente—exalando o aroma das palavras de Jesus: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28).
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UMA SÓ CAUSA E UM SÓ EFEITO
A Ciência Cristã começa com o Primeiro Mandamento do Decálogo Hebreu: “Não tereis outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3). Ela prossegue em perfeita harmonia com o Sermão do Monte, pronunciado por Cristo e, na era atual, culmina com o Apocalipse de São João, o qual, ainda na terra e na carne como nós, contemplou “um novo céu e nova terra” (Apoc. 21:1), o universo espiritual, do qual a Ciência Cristã agora dá testemunho.
Nosso Mestre disse: “As obras que eu faço, farás também” (João 14:12), e “O reino de Deus está dentro em vós” (Lucas 17:21). Isto torna práticas todas as suas palavras e obras. À medida que as épocas avancem em espiritualidade, reconhecer-se-á que a Ciência Cristã só se afasta da tendência de outras religiões cristas por um espiritualidade mais desenvolvida.
Meu primeiro postulado nas proposições da Ciência Cristã, é o seguinte: “Não há vida, verdade, inteligência, nem substancia na matéria. Tudo é Mente infinita e sua manifestação infinita, porque Deus é Tudo-em-tudo. O Espírito é a Verdade imortal; a matéria é o erro mortal. O Espírito é o real e eterno; a matéria é o irreal e temporal. O Espírito é Deus, e o homem é Sua imagem e semelhança. Por isso o homem não é material; ele é espiritual”. (C&S 468:9)
Sou estritamente monoteísta—creio em um só Deus, um só Cristo ou Messias.
A Ciência não é uma lei da matéria nem uma lei do homem. Ela é a manifestação infalível da mente, a lei de Deus, o seu Principio divino. Quem se atreve a afirmar que a matéria ou os mortais podem produzir a Ciência? De onde provém então, se não da fonte divina, e que é senão a contemporânea do cristianismo, tão avançada para o conhecimento humano que os mortais precisam esforçar-se para descobrir pelo menos uma parte dela. A Ciência Cristã interpreta a Mente, Deus, aos mortais. Ela é o cálculo infinito que define a altura, a largura, a profundidade e a Quarta dimensão do Espírito. Refuta, de forma absoluta, a amalgamação, a transmigração, a absorção ou o aniquilamento da individualidade. Demonstra a impossibilidade da transmissão dos males humanos, ou o mal, d um indivíduo a outro; demonstra que todos os pensamentos verdadeiros giram na órbita de Deus: provém de Deus e retornam a Ele, -- e porque as falsidades não pertencem a Sua criação, elas são nulas e vãs. Esta Ciência não tem igual nem rival, pois habita n’Aquele ao lado do qual “não há outro” (Marcos 12:32).
Que a Ciência Cristã é cristã, o tem provado a um mundo em expectativa aqueles que a tem demonstrado de acordo com as regras do seu Princípio divino—junto com os doentes, os socos, os surdos e os cegos, curados por ela. Quem não a tem testado, é incompetente para condená-la, e aquele que é um pecador intencional não pode demonstrá-la.
A queda de uma maçã surgeriu a Newton algo mais que o simples fato percebido pelos sentidos, aos quais parecia que caia por sua própria gravidade; mas a causa primordial, ou seja, a força da Mente, invisível aos sentidos materiais, encontrava-se oculta entre os tesouros da Ciência. Certo é que Newton a denominou gravitação; a tal ponto chegaram os seu conhecimento. A Ciência, porém, exigindo mais, insiste e pergunta: De onde vem ou o que é a força que movimenta a gravitação—a inteligência que manifesta o poder? É verdadeiro o panteísmo? Acaso a mente “dorme no mineral, sonha no animal e desperta no homem”? O cristianismo responde a esta pergunta. Os profetas, Jesus e os apóstolos demonstraram uma inteligência divina que subordina as chamas leis da matéria; e a doença, a morte, os ventos e as ondas obedecem a essa inteligência. Foi a Menta ou a matéria que na criação do mundo disse: “e tudo se fez”? (Salmos 33:9). A resposta é evidente por si, e o mandamento persiste: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3).
É evidente que o Mim a que se refere o Primeiro Mandamento tem que ser a Mente, pois a matéria não é o Deus do cristão e não é inteligente. A matéria nem sequer pode falar; e a serpente, o Satanás, que por primeiro falou em defesa da matéria, mentiu. A razão e a revelação declaram de Deus é ambos, númeno e fenômenos, -- a primeira e única causa. O universo, inclusive o homem, não é um resultado da ação atômica, da força ou energia materiais; não é pó organizado. Deus, Espírito, Mente, são termos sinônimos para o Deus único, cujo reflexo é a criação e o homem é Sua imagem e semelhança. Poucos são os que compreendem o que a Ciência Cristã quer dizer com a palavra reflexo. Deus só é percebido naquilo que reflete o bem, Vida, Verdade, Amor,-- sim naquilo que manifesta todos os Seus atributos e todo o Seu poder, assim como a semelhança humana, projetada sobre o espelho, reproduz exatamente o aspecto e as ações do objeto a sua frente. Tudo tem que ser Mente e as idéias da Mente, pois, de acordo com as ciências naturais, Deus, o Espírito, não poderia mudar a sua espécie e produzir a matéria.
Estas realidades exigem obediência ao Primeiro Mandamento e um conhecimento delas espiritualiza o pensamento do homem. São Paulo escreve: “Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz” (Rom. 8:6). Este conhecimento me ocorreu em um momento de grande aflição e o ofereço a vós como testemunho do que aconteceu no meu leito de morte, quando, por assim dizer, a estrela d’alva amanheceu durante a noite do sentido material. Este conhecimento é prático, pois determinou a meu imediato restabelecimento de uma lesão causada por um acidente e declarada fatal pelos médicos. Três dias depois, eu solicitei a minha Bíblia e a abri em Mateus 9:2. Enquanto lia, a Verdade curativa alvoreceu em meu pensamento de tal forma que me levantei, me vesti e gozando, daí por diante, de uma saúde melhor do que antes. Esta breve experiência incluía em si um vislumbre da grande realidade que desde então tenho tentado tornar compreensível a outras pessoas, a saber: que a Vida está no Espírito e é do Espírito, sendo esta Vida a única realidade da existência. Aprendi que o pensamento mortal desenvolve um estado subjetivo ao qual denomina matéria, excluindo desta forma o verdadeiro conceito do Espírito. Em contraposição a isto, a Mente e o homem são imortais e o conhecimento obtido do sentido mortal é ilusão, erro, o oposto da Verdade; logo, não pode ser verdadeiro. Abrigar ao mesmo tempo um conhecimento do bem e do mal (já que o bem é Deus e Deus é Tudo) é impossível. Ao falar da origem do mal, o mestre disse: “Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44). Deus preveniu o homem que não acreditasse na serpente falante, ou melhor, na alegoria que a descreve. O Profeta Nazareno disse que os seus seguidores devem pegar em serpentes, isto é, invalidar toda a falsidade ou ilusão sutil, destruindo desta forma qualquer suposto efeito proveniente de pretensões falsas que exercem o seu suposto poder sobre a mente e o corpo do homem, em oposição a sua santidade e saúde.
Que não há senão um só Deus ou Vida, uma só causa e um só efeito, é o “multum en parvo” (tudo em um) da Ciência Cristã e, no meu entender, isto é a essência do cristianismo, a religião que Jesus ensinou e demonstrou. Na Ciência divina percebe-se que a matéria é uma fase do erro e que nenhum dos dois existe realmente, posto que Deus é Verdade e Tudo-em-tudo. O Sermão do Monte pronunciado por Cristo, na sua aplicação direta às necessidades humanas, confirma esta conclusão.
A Ciência, compreendida, substitui a matéria por Mente, rejeita todas as outras teorias sobre a causalidade, restitui o significado espiritual e original das Escrituras e explica os ensinamentos e a vida de nosso Senhor. É a “nove língua ”da religião, “por meio de sinais que se seguiam”, da qual fala São Marcos (16:17,20). Ela oferece a humanidade o significado infinito de Deus, curando os doentes, expulsando o mal e ressuscitando os espiritualmente mortos. O cristianismo só é semelhante ao Cristo na medida em que reitera a palavra, repte as obras e manifesta os espírito do Cristo.
A única medicina de Jesus era a Mente onipotente e onisciente. Posto que oni, derivado do latim, significa tudo, esta medicina é todo-poder; e onisciência significa, pelo mesmo motivo, toda-ciência. Os doentes estão em uma situação mais deplorável do que os pecadores, quando não podem confiar na ajuda de Deus e os pecadores podem. Se Deus tivesse criado medicamentos eficientes, estes não poderiam ser prejudiciais; se Ele pudesse cria-los ineficientes, então seriam maus a desapropriados para o homem; e se Ele tivesse criado medicamentos para curar os doentes, por que Jesus não os empregou e os recomendou para essa finalidade?
Nenhuma hipótese humana, seja ela sobre filosofia, medicina ou religião, pode sobreviver à ação destrutiva do tempo; mas tudo o que é de Deus, conserva vida em si mesmo e finalmente será reconhecido como verdade evidente por si mesmo, tão demonstrável como a matemática. Cada período sucessivo de progresso é mais humanitário e mais espiritual. A única conclusão lógica é que tudo é mente e sua manifestação, desde a rotação dos mundos, no mais tênue éter, até um canteiro de batatas.
O agricultor contempla o desenvolvimento de uma semente e crê que as suas colheitas procedem da semente e do solo, apesar de as Escrituras declararem que Ele fez “toda planta do campo antes que estivesse na terra” (Gen. 2:5 -- segundo a versão inglesa). O Cientista Cristão pergunta: De onde veio a primeira semente e como foi criado o solo? Por moléculas ou por átomos materiais? De onde veio o infinitesimal, -- da Mente infinita ou da matéria? Se veio da matéria, como se originou a matéria? Existia ela por si mesma? A matéria não é inteligente e por isso não é capaz e o evoluir ou criar-se a si mesma: é o direto oposto do Espírito, a mente inteligente, autocriativa e infinita. A crença de que há mente na matéria é panteísmo. A historia natural demostra que nenhum gênero e nenhuma espécie produz o seu oposto. Deus é Tudo, em tudo. O que pode ser mais do que Tudo? Nada, e é justamente assim que denomina a matéria: nada. O Espírito, Deus, não tem antecedente, e o resultante de Deus é o cosmos espiritual. A frase “expressão exata” na versão comum de Hebreus 1:3 é, no Testamento grego: caráter.
As Escrituras denominam Deus o bem, e o termo saxão para Deus é, igualmente, o bem. Desta premissa resulta a conclusão lógica de que Deus é natural e divinamente o bem infinito. Como, então, pode esta conclusão mudar, ou ser mudada, para significar que o bem é o mal ou o criador do mal?
O que pode haver ao lado da infinidade? Nada! Em virtude disso, a Ciência do bem chama o mal: nada. Na Ciência divina os termos Deus e o bem, significando Espírito, são sinônimos. Que Deus, o bem, cria o mal ou algo que possa resultar no mal—o que o Espírito cria o seu oposto, chamado matéria—são conclusões que destróem sua própria premissa e provam a sua nulidade. Este é o ponto no qual a Ciência Cristã sustenta a sua tese e onde outros sistemas religiosos abandonam a sua própria lógica. Que a matéria e o mal (incluindo toda desarmonia, todo pecado, toda doença e morte) são irreais, é aqui reconhecido como a essência da declaração fundamental e o ponto cardeal da Ciência Cristã. Os mortais aceitam a base da ciência natural segundo a qual nenhuma espécie produz o seu oposto. Por que, então, não aceitar a Ciência divina a partir desta base? Já que as Escrituras sustentam este fato através de parábolas e provas, indagando: “Colhem-se, porventura, uvas do espinhos ou figos dos abrolhos”? (Mat. 7:16) “Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso”? (Tiago 3:11).
De acordo com a razão e a revelação, o mal e a matéria são uma negação: pois o mal significa a ausência do bem, Deus, apesar de que Deus está sempre presente; a matéria, entretanto, reclama algo ao lado de Deus, ao passo que Deus, na realidade, é Tudo. A criação, sua evolução, sua manifestação e tudo o que realmente existe, originando-se no e do Espírito, na e da Mente, tem que ser espirituais e mentais. Isto é Ciência e suscetível de prova.
Mas, diria você, uma pedra porventura é espiritual?
Para o errado sentido material, Não! Mas para o infalível sentido espiritual, ela é uma pequena manifestação da mente, um símbolo de substancia espiritual, “a substancia de cousas que se esperam” (Hebreus 11:1—segundo a versão inglesa). Os mortais só podem reconhecer a pedra como substancia se em primeiro lugar admitem que ela é substancial, suprima o conceito mortal de substância e a pedra mesma desaparecerá, para só reaparecer no conceito espiritual acerca dela. A matéria, não tendo sensação própria, não pode ver, ouvir, sentir, degustar, nem cheirar. A percepção através do cinco sentidos pessoais é mental e depende das crenças que os mortais abrigam. Destrua a crença de que podes andar, e a volição cessa, pois os músculos não podem mover-se sem a mente. A matéria não toma conhecimento da matéria . Em sonhos, as coisas só são o que a mente mortal faz delas; e os fenômenos da vida mortal são como sonhos; esta chamada vida é um sonho passageiro. Na proporção em que os mortais se desviam deste sonho mortal e material, para o verdadeiro sentido da realidade, reconhecer-se-á a Vida eterna como a única vida. Nosso Mestre provou ao seu incrédulo discípulo Tomás que a morte não destrói as crenças da carne. Ele provou, outrosim, que unicamente a Ciência divina pode subjugar a materialidade e a mortalidade, e esta grande verdade foi demonstrada mediante a sua ascensão após a morte, pela qual se elevou acima da ilusão da matéria.
O Primeiro Mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” sugere a pergunta: O que significa este Mim—Espírito ou matéria? Certamente não significa um ídolo esculpido, portanto tem que significar Espírito. De maneira que o mandamento que dizer: não reconhecerás inteligência nem vida na matéria, nem encontrarás prazer ou dor nela. O conhecimento prático que o Mestre possuía desta grande verdade, combinado com o seu Amor divino, curava os doentes e ressuscitava os mortos. Ele anulava literalmente as pretensões do corpo e da lei física, por meio da superioridade da lei suprema; e aí a sua declaração: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem...se alguma cousa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados” (Marcos 16:17, 18).
Acreditas em suas palavras? Eu sim, e creio que a sua promessa é perpétua. Se fossem aplicáveis somente para os seus discípulos imediatos, o pronome seria vos e não aqueles. O propósito da obra da sua vida atinge a humanidade universal. Em uma outra oportunidade ele orou, não somente pelos doze, como “também por aqueles que vieram a crer em mim, por intermédio da sua palavra (João 17:20).
A cura-pelo-Cristo até já foi praticada antes da era cristã; “o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Entretanto, não há qualquer analogia entre a Ciência Cristã e o espiritismo, ou entre esta e qualquer teoria especulativa.
No ano de 1867 eu ensinei o primeiro aluno em Ciência Cristã. Desde aquela data, tome conhecimento de apenas catorze óbitos das fileiras dos meus aproximadamente cinco mil alunos. A partir do ano de 1875 (a data da primeira publicação de minha obra “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras”) as estatísticas demonstram que a longevidade tem aumentado. Diariamente recebo cartas de pessoas informando-me que a leitura cuidados do meu livro as está curando de moléstias crônicas e agudas que haviam desafiado a perícia médica.
Não há dúvida de que os povos do ocidente sabem que a magia esotérica e o barbarismo oriental não favorecerão o cristianismo nem promoverão a saúde e a longevidade.
Os milagres não são infrações das leis de Deus; pelo contrário, cumprem as Suas leis, pois são os sinais que acompanham o cristianismo pelos quais é provado que a matéria não tem poder e que está subordinada à Mente. Os cristãos deveriam, tal qual estudantes de matemática, atingir gradualmente estas normas superiores da Vida que Jesus ensinou e demonstrou. Será que compreendemos verdadeiramente o Princípio divino do cristianismo antes mesmo de havê-lo comprovado pelo menos com alguma modesta demonstração de cura de enfermos, segundo o exemplo de Jesus? Será que deveríamos adotar a “matemática primária” da Ciência Cristã e duvidar de suas regras superiores ou perder a esperança de conseguir finalmente alcançá-las, mesmo que no começo tenhamos fracassado em demonstrar todas as possibilidades do cristianismo?
São João percebeu e revelou espiritualmente a soma total do transcendentalismo. Ele viu a verdadeira terra e o céu verdadeiro. Eram espirituais, não materiais e neles não havia dor, pecado nem morte. A more não era a entrada para este céu. Suas portas, conforme declarou, estavam incrustadas com pérolas—comparáveis a inestimável compreensão da verdadeira existência do homem, que deveria ser reconhecida aqui e agora.
O grande Indicador-do-caminho ilustrou que a Vida não é limitada, contaminada nem entravada pela matéria. Provou a superioridade da mente sobre a carne, abriu a porta ao cativo e capacitou o homem para demonstrar a lei da Vida que, como São Paulo o declara: “te livrou da lei do pecado e da morte” (Rom. 8:2). A afirmação caduca de que a Ciência Cristã “não é ciência nem cristã!” é hoje o fóssil de ingênua insensatez, da debilidade e da superstição. “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Salmos 14;1).
Tenha ânimo, caro leitor, pois qualquer aparente misticismo relativo ao realismo está explicado nas Escrituras: “Uma neblina subia da terra (matéria)” (Gen. 2:6), e o vapor do materialismo se desvanecerá a medida que nos acerquemos da espiritualidade, o reino da realidade, que purifiquemos a nossa vida na justiça de Cristo, que submirjamos no batismo do Espírito e despertemos em Sua semelhança.
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A CIÊNCIA E OS SENTIDOS
(Essência do meu discurso proferido na Convenção nacional de Chicago, no dia 13 de junho de 1883)
A Associação Nacional de Cientistas Cristãos nos reuniu para ministrar e para sermos ministrados; para que nos ajudemos mutuamente em encontrar meios e arbítrios para socorrer a toda a família humana; para intensificar e promover o interesse que já se faz sentir por um método de medicina mais elevado; para observar com viva alegria do desenvolvimento individual dos Cientistas Cristãos e o progresso da nossa Causa comum em Chicago—milagre do ocidente. Viemos para fortalecer e perpetuar as nossas organizações e instituições, para encontrar força na união, -- força para, mediante a ajuda de Deus, erguer esta religião pura e sem mácula, cuja Ciência revela Deus e a perfectibilidade do homem. Este propósito é imenso e deve começar com o progresso individual, um “resultado devotadamente desejável”. Todo reformador atesta a autenticidade de sua missão através da sua vida e ele se dirige ao mundo para que este reconheça o Princípio divino e ele se dirige ao mundo para que este reconheça o Princípio divino desta missão. Certo é o que foi escrito:
“Tu mesmo tens que ser veraz, se a verdade queres ensinar; teu coração precisa transbordar, se ao coração de outros queres chegar”.
A Ciência é absoluta e definitiva. Ela é, em sua própria natureza, revolucionaria, pois transtorna tudo o que não é legítimo. Ela anula o falso testemunho e diz aos cinco sentidos materiais: “Tendo olhos, não vedes e, tendo ouvidos, não ouvis; nem podeis compreender”. Tecer um fio de Ciência nos teares do tempo, é em si um milagre. O risco é estupendo. O que o custou a Galileu? Este terrível preço: a perda temporária do respeito de si mesmo. A sua lealdade foi vencida pelo temo; o valor das suas convicções afundou ante o seu temor. O medo é a arma na mão de tiranos.
Homens e mulheres do século dezenove: fostes chamados para proclamar uma forma de Ciência mais elevada? Então obedecei a este chamado. Ide, se necessário for, ao calabouço ou ao patíbulo, mas não contradizeis as palavras da Verdade. Quantos há que estão dispostos a sofrer por uma causa justa, a suportar um assédio prolongado, a colocar-se na vanguarda, enfrentar o inimigo e pisar todos os dias no campo da luta?
Em nenhuma outra coisa apareceu Jesus de Nazaré mais divino do que na sua fé na imortalidade de suas palavras. Ele disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão”, (Mat. 24:35); e não passaram. Os ventos do tempo varrem a fundo os séculos, mas não conseguem levar as suas palavras ao esquecimento. Ainda vivem e amanha falarão mais alto do que hoje. Hoje, elas são como uma voz que prega no deserto, clamando: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas para a saúde, a santidade, a harmonia universal e subai até aqui”. A grandiosidade da palavra, o poder da Verdade, está novamente expulsando os males e curando os doentes; e sussurra: “Isto é Ciência”.
Ao longo do caminho, Jesus ensinou em lares modestos. Ele falou sobre a Verdade e o Amor a ouvintes incultos e a discípulos insensíveis. As suas palavras imortais foram pronunciadas em um idioma em decadência e deixadas, então, à providencia de Deus. A Ciência Cristã haveria de interpretá-las, e a mulher, “a última ao pé da cruz”, haveria de despertar os torpes sentidos, embevecidos de prazer e dor, ao significado infinito daquelas palavras.
O passado, o presente e o futuro comprovarão a palavra e o poder da Verdade—ao curar o enfermo e ao reformar o pecador—enquanto perdurar uma pretensão do erro que a Verdade tenha que negar ou destruir. As obras do Amor não se perdem. Os cinco sentidos pessoais, que não compreendem o significado nem a magnitude da abnegação, podem perdê-las de vista; mas a Ciência proclama o amor desinteressado, revela o bem infinito, libera forças irresistíveis e, finalmente, mostrará os frutos do Amor. O raciocínio humano é impreciso e o alcance dos sentidos não é suficiente para compreender a palavra da Verdade e para ensinar o eterno.
A Ciência fala quando os sentidos silenciam, e então a Verdade eterna triunfa. Quando o monitor espiritual é compreendido, é a coincidência do divino com o humano, o ápice da Ciência Cristã. A humanidade pura, a amizade, o lar e o amor recíproco trazem à terra o antegozo do céu. Unem alegrias terrenas com celestiais, coroando-as com bênçãos infinitas.
O Cientista Cristão ama mais ao homem, porque ama a Deus sobre todas as coisas. Ele compreende este Princípio, -- o Amor. Quem é competente para estas coisas? Quem se lembra de que a paciência, o perdão, a fé inquebrantável e o afeto são os sinais do nosso Pai, pelos quais o homem alcança gradualmente a redenção do pecado e encontra a sua entrada na Ciência? Quem sabe como vacilantes lábios falam com eloquência, como corações são inspirados, como a cura ocorre espontaneamente e como a Mente divina é compreendida e demonstrada? Só aquele que está se afastando da escravidão dos sentidos, que está aceitando a verdade espiritual e que conhece estas maravilhas, -- aquele que abençoa a sua adoção mediante a purificação da alegria e o abandono da tristeza.
A Ciência Cristã e os sentidos estão em conflito. É uma luta revolucionária. Nesta nação já combatemos em duas guerras; elas começaram e terminaram numa disputa pela idéia verdadeira, pela liberdade e pelos direitos humanos. Agora vem a terceira luta: aquela pelo direito à saúde, a santidade e à consecução do céu.
O conceito científico do ser que estabelece a harmonia, não chega a um acordo com o finito e a fraqueza. Ele abala as bases da mortalidade, da lei corporal, rompe as suas algemas e liberta o cativo, abrindo as portas aos presos.
Aquele que recorre ao corpo à procura de evidencia, baseia as suas conclusões na mortalidade e na imperfeição, mas a Ciência diz ao homem: “Deus tem todo o poder”.
A Ciência da onipotência demonstra que existe um só poder, e este poder é o bem, não o mal; não está na matéria, mas na Mente. Isto virtualmente destrói a matéria e o mal, onde estão incluídos o pecado e a doença.
Se Deus é Tudo, e Deus é o bem, deduz-se que tudo tem que ser bom; e nenhum outro poder, lei ou inteligência pode existir. Sobre esta prova repousam as premissas e as conclusões na Ciência, bem como as verdades que refutam as evidencias dos sentidos.
Deus é Mente individual. Esta Mente única e a Sua individualidade abrangem os elementos de todas as formas e individualidades, e profetizam a natureza e a envergadura de Cristo, o homem ideal.
Um Deus corpóreo, como muitas vezes o definem os lexicólogos e os teólogos escolásticos, é somente um ser infinito finito, um homem ilimitado, -- uma teoria, para mim, inconcebível. Se a Mente ilimitada e imortal pudesse originar-se de um corpo limitado, a Mente estaria acorrentada ao finito e o infinito seria para sempre finito.
Neste sentido limitado e inferior, Deus não é pessoal. A Sua infinidade exclui a possibilidade de uma personalidade corpórea. O Seu ser é individual, mas não corporal.
Deus é semelhante a si mesmo e a nada mais. Ele é universal e primordial. O Seu caráter não admite graus de comparação. Deus não é parte de algo, porém a totalidade. Em Sua individualidade, eu reconheço o afetuoso e divino Pai-Mãe Deus. A personalidade infinita tem que ser incorpórea.
Os caminhos de Deus não são os nossos. A Sua compaixão é expressada de forma sobre-humana. Os Seus castigos são as manifestações do Amor. A compaixão de Sua Mente eterna expressa-se plenamente na Ciência divina, que anula todas as nossas iniquidades e cura todas as nossas moléstias. A compaixão humana causa, muitas vezes, sofrimento.
A Ciência apoia a harmonia, nega o sofrimento, destruindo-o com a divindade da Verdade. Tudo o que parece ser material, parece sê-lo somente para os sentidos materiais e é somente o estado subjetivo do pensamento mortal e material.
A Ciência introduziu o irrepreensível conflito entre os sentidos e a Alma. O pensamento mortal luta com estes sentidos como alguém que golpeia o ar, mas a Ciência o domina e acaba com a luta. Isto prova a cada dia que "um só ao lado de Deus é maioria”.
A Ciência define a onipresença como a universalidade, aquilo que exclui a presença do mal. Esta verdade anula a evidencia dos sentidos, que afirmam que o pecado é um poder maligno e que a substancia é perecível. O Espírito inteligente, a Alma, é substancia, muito mais inexpugnável e sólida do que a matéria; pois esta é temporal, enquanto aquela é eterna, o máximo e a essência do ser.
Os mortais dão, virtualmente, o nome de “substancia” à mortalidade, à materialidade e às forças destrutivas, tais como o pecado, a moléstia e a morte. Mas estas são a substancia das coisas não esperadas. Por não saberem o que é substancia, os sentidos dizem vagamente: “A substancia da vida é aflição e mortalidade; pois, quem conhece a substancia do bem?” Na Ciência, a forma e a individualidade jamais se perdem e os pensamentos são idéias delineadas e individualizadas, que habitam para sempre na Mente divina como substancia tangível e verdadeira, já que estão eternamente conscientes. Ao contrário da mente mortal, que sempre haverá de estar em cativeiro, a Mente eterna é livre, ilimitada e não conhece o temporal.
O temporal tampouco conhece o eterno. O homem mortal, como mente ou matéria, não é o modelo nem o Criado do homem imortal. Qualquer dedução de que o divino deriva do humano, seja como mente ou como corpo, oculta o atuante poder e as atuantes presença e individualidade de Deus.
A personalidade carnal de Jesus, na medida em que podia ser percebida pelo sentido material, era igual à de outros homens; a Ciência, porém substitui este conceito humano acerca de Jesus pelo ideal divino, a sua individualidade espiritual, que refletia o Emanuel, ou “Deus conosco”. Este Deus não se encontrava circunscrito. Era demasiado poderoso para isto. Ele era Vida eterna, infinita Verdade e infinito Amor. A individualidade é circundada pela Mente e portanto está para sempre com o Pai. Daí a menção das Escrituras: “Acaso sou Deus apenas de perto, diz o Senhor” (Jer. 23:23). Mesmo quando a sua pessoa estava na terra e em angústia, o seu ser individual, o Cristo, repousava em paz na harmonia eterna. A sua individualidade invisível, tão superior ao que era visível, não estava sujeita às tentações da carne, às leis materiais, à morte ou ao túmulo. Formada e governada por Deus, esta individualidade encontrava-se a salvo na substancia da Alma, a substancia do Espírito, --sim, na substancia de Deus, o único bem que tudo inclui.
Na Ciência todo o ser é individual, pois a individualidade não tem limites nos cálculos das formas e dos números. Nela o pecado é miraculoso e sobrenatural, pois que não faz parte da natureza de Deus, e o bem é sempre o bem. De acordo com a Ciência Cristã, a perfeição é normal, -- não milagrosa. Guarnecida, e em sua mente verdadeira, a individualidade do homem é isenta de pecado, imperecível, harmoniosa, eterna. Sua materialidade, envolta numa mentalidade falsa, sustenta uma frágil luta contra a sua individualidade, -- os seus sentidos corporais contra os seus sentidos espirituais. Estes últimos desenvolvem-se nas profundezas divinas da Ciência: aqueles giram nas suas próprias órbitas e tem que suportar o atrito do falso eu, até que se destruem as si mesmos. Em obediência à natureza divina, a individualidade do homem reflete a lei e a ordem divinas do ser. Como chegaremos à nossa individualidade verdadeira? Através do Amor. O Princípio da Ciência Cristã é o Amor e a sua idéia representa Amor. Este Princípio divino e a sua idéia, são demonstrados na cura como sendo Deus e o homem verdadeiro.
Quem deseja ser mortal, ou quem não deseja alcançar o verdadeiro ideal da Vida e recobrar a sua própria individualidade? Eu quero amar, enquanto um outro odeia. Quero alcançar um saldo a favor do bem, o meu verdadeiro ser. Somente isto me concede os poderes de Deus para dominar qualquer erro. Sobre isto repousa a fé implícita inspirada pela Ciência Cristã, que apela inteligentemente às verdades da espiritualidade, a individualidade do homem, para desprezar os temores e destruir as discordâncias desta personalidade material.
Nas demonstrações individuais do nosso Mestre sobre o pecado, a doença e a morte, se apoiou, o anátema do clero e dos sentidos; nem por isso, tal demonstração é a base da Ciência Cristã. Os seus sofrimentos físicos, provenientes do testemunho dos sentidos, terminaram quando ele voltou ao seu ser individual espiritual, depois de mostrar-nos o caminho como escapar do corpo material.
A Ciência não teria conflito algum com a Vida, nem com o sentido humano se este sentido fosse consistentemente sensato. A vida real ou a existência do homem está em harmonia com a Vida e os seus gloriosos fenômenos. Sustenta o ser e destrói as demasiadamente comuns aparências dos seus opostos, -- a morte, a doença e o pecado. A Ciência Cristã é eternamente triunfante e uma derrota é desconhecida à Verdade onipresente. Sempre haverá de seguir nesta direção de luz e combate.
A Ciência Cristã é o meu único ideal e o indivíduo nunca pode ser separado do seu ideal. Se um dos dois é mal interpretado ou caluniado, obscurece o outro com a sombra projetada por este erro.
A Verdade destrói o erro. Aos sentidos corporais aparece nada mais do que o seu próprio estado subjetivo de pensamento. Os sentidos fazem causa comum com o erro e compadecem-se daquilo que não tem direito a ser compadecido, nem a existir, e do que não existe na Ciência. Elimine o pensamento em pecado, doença e morte, e você elimina a sua existência. “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará”(Gálatas 6;7).
Porque Deus é Mente e esta Mente é o bem, tudo é bom e tudo é Mente. Deus é a totalidade do universo. O que são, então, e aonde estão o pecado, a doença e a morte?
A Ciência Cristã e os Cientistas Cristãos terão e tem uma história, e se eu pudesse escrever esta história numa modesta paródia dos grandiosos versos de Tennyson, diria assim: Traidores a sua direita, Médicos a sua esquerda, O clero a sua frente Suas salvas trovarão! Pela boca do ódio entrando, Pela porta do Amor saindo, Ao bendito céu remontando, Os cem marcharão.
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EXTRATO DO MEU PRIMEIRO DISCURSO PRONUNCIADO EM A IGREJA MÃE, NO DIA 26 DE MAIO DE 1895
Amigos e irmãos: a vossa Lição Dominical, composta de textos da Bíblia e de trechos correlativos de “Ciência e Saúde com a chave das Escrituras”, os tem alimentado. Em aditamento, só posso trazer-vos as migalhas que caíram desta mesa da Verdade e recolher as sobras.
Há muito tempo é de suma importância considerar a pergunta: Como deverá a humanidade venerar o mais adorável, mas também o menos adorado, -- e onde deverá começar este louvor que jamais deverá terminar? Tenho a impressão que de todos os lados ouço o suave e doce suspiro de anjos que respondem: “Vivei de tal maneira que as vossas vidas confirmem a vossa sinceridade e ecoem o Seu louvor.”
A música é a harmonia do ser; mas na música da Alma ressoam as únicas melodias que comovem os acordes do sentimento e despertam as cordas da harpa do coração. Movido pela mente, o vosso órgão de múltiplas vozes, imitando os sons de numerosos instrumentos, louva-O; mas mesmo a doçura deste templo e a sua beleza exterior que O louvam, são expressões terrenas e não devem ser confundidas com os oráculos de Deus. A arte não deverá prevalecer sobre a Ciência. O cristianismo não é supérfluo. O seu poder redentor manifesta-se em duras provas, abnegação e crucificações da carne. Mas estas vem em socorro dos mortais para admoestá-los e plantar os seus pés firmemente em Cristo. A medida que nos elevemos acima da aparente neblina dos sentidos, percebemos ais claramente que toda a homenagem do coração pertence a Deus. Mais amor é a grande necessidade da humanidade. Uma afeição pura, concêntrica, que se esquece de si mesma, que perdoa injustiças e as previne, deveria inspirar a lira do amor humano.
Três pontos cardeais precisam ser conquistados, antes que a pobre humanidade possa ser regenerada e a Ciência Cristã demonstrada: 1) Um conceito correto do que é o pecado; 2) O arrependimento; 3) A compreensão do que é o bem. O mal é uma inexistência: jamais principiou com o tempo e não pode marcar passo com a eternidade. Os falsos sentidos dos mortais passam por três estados e estágios da consciência humana, antes de abandonarem o erro. Ao sentido iludido deve expor-se primeiramente a sua ilusão mediante o reconhecimento de suas repetidas violações da lei divina, o indivíduo pode cegar moralmente e este deplorável estado mental é idiotice moral. O não enxergar a sua própria mentalidade deformada e o não expressar o correspondente “arrependimento”, tão profundo que nunca mais necessitamos arrepender-nos, está retardando, em certas instancias, o progresso dos Cientistas Cristãos. Sem o reconhecimento dos seus pecados e sem um arrependimento tão severo que os destrua, ninguém é ou pode ser um Cientista Cristão.
A humanidade, ou confere demasiada importância ao pecado ou não a suficiente. O sensível e aflito santo presta-lhe demasiada atenção; o pecador sórdido, ou o assim chamado cristão adormecido, pouca demais.
É anormal, para os Cientistas Cristãos, consentir em qualquer espécie de pecado, enquanto sustentem, como de fato o fazem, que o bem é infinito, tudo. Nosso Mestre, ao definir o Satanás como um mentiroso desde o princípio, atestou a absoluta impotência—sim, o nada—do mal: portanto, desde que uma mentira, carecendo de fundamento real, é meramente uma falsidade, espiritualmente e literalmente ela é nada.
O não saber que uma pretensão falsa é falsa, significa correr o risco de acreditar-se nela; daí a vantagem de Ter uma percepção correta do mal, logo reduzindo a sua pretensão ao seu denominador correto, -- ninguém e nada. O pecado deveria ser concebido como uma ilusão. Este verdadeiro conceito dele, acabaria com a ignorância dos mortais e os efeitos desta ignorância, e conduziria à Segunda etapa da consciência humana: o arrependimento. A primeira etapa, nominalmente o conhecimento de si mesmo, o correto conhecimento do mal e de suas sutis manobras, nas quais o mal parece ser tão real quanto o bem, é indispensável, já que podemos cuidar daquilo que entendemos com clareza; mas se abrigarmos um conceito errado a respeito do que é necessário saber acerca do mal, -- ou o conceito de tudo isto como alguma coisa real--, isto nos custará caro. O pecado só precisa ser reconhecida pelo que não é; então seremos o seu mestre e não o seu servente. Recordai que Jesus definiu o pecado com uma mentira e procedei de acordo com esta definição. Este cognome o faz menos perigoso, porquanto a maioria de nós não gostaria de ser considerada capaz de acreditar naquilo ou aderir àquilo que sabemos ser falso. O que se pensaria de um Cientista Cristão que acreditasse no uso de medicamentos, que, ao mesmo tempo, declarasse que estes não tem qualidade intrínseca e que a matéria não existe? O que deveria pensar-se de um indivíduo que acredita no que é falso e ao mesmo tempo proclama a unidade da Verdade e a sua totalidade? Acautelem-se daqueles que deturpam os fatos, que tacitamente consentem quando deveriam discordar, ou dos que me tomam por autoridade no que desaprovo ou no que provavelmente nunca havia pensado: daqueles que tentam derrubar, inverter ou contestar a Verdade, pois este é um indício seguro de corrupção moral.
A ignorância somente é abençoada na proporção do seu nada, pois, sentir a necessidade de substituí-la por algo, abençoa os mortais. Na alegoria de Adão e Eva no jardim do Éden, a ignorância foi a primeira condição para o pecado. O estado mental deles não é desejável, nem o é o reconhecimento do pecado e suas conseqüências, o arrependimento, “per se”; mas, admitindo a existência de ambos, os mortais precisam apressar-se para passar da Segunda à terceira etapa—ao reconhecimento do bem; pois sem este, faltaria a valiosa seqüência do conhecimento—isto é, o poder para escapar das falsas pretensões do pecado. Para compreender o bem, devemos discernir o dada do mal e consagrar a nossa vida de novo.
Amados irmãos, Cristo, a Verdade vos diz: “Não temais!” (Marcos 6:50) – não temais o pecado, para que, desta forma, ele não vos domine; somente temei o pecar. Vigiai e orai para conhecer-vos a vós mesmos, porquanto, então e desta forma vem o arrependimento, -- e lograis superioridade sobre a ilusão.
Arrependimento é melhor do que sacrifício o dispendioso bálsamo da Arábia, derramado sobre os pés do nosso Mestre, não valia tanto quanto uma única lágrima.
Amadas crianças, o mundo precisa de vós, -- e mais como crianças do que como homens e mulheres: ele necessita vossa inocência, vosso desinteresse, vosso afeto sincero e vossa vida incontaminada. Também vós deveis vigiar e orar para que preservais estas virtudes sem mácula e não as percais em contato com o mundo. Que ambição mais grandiosa pode haver do que a de manter em vós aquilo que Jesus amou, e saber que vosso exemplo, mais do que vossas palavras, impõe moralidade a humanidade!
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DISCURSO PRONUNCIADO EM 1895, PERANTE OS ALUNOS DO COLÉGIO METAFÍSICO DE MASSACHUSETTS
Meus amados alunos: As semanas se transformaram em meses e os meses em anos, desde a última vez em que nos reunimos; mas o tempos e o espaço no nos separam quando estão cercados pela presença divina. Mesmo enquanto grandes distancias nos separavam, os nossos corações batiam um mesmo ritmo e o nosso trabalho foi perseverantemente dirigido para um mesmo objetivo.
Bem poderíamos reunir-nos em ação de graças pelo contínuo progresso e pela prosperidade sem precedentes da nossa Causa. Já é óbvio que a aceitação que a Ciência Cristã teve no mundo, bem como o impulso que alcançou, aumentam rapidamente com o passar do anos.
Como Cientistas Cristãos, haveis ousado empreender a perigosa defesa da Verdade e haveis triunfado. Haveis aprendido quão efêmero é o que os homens chama grande, e quão permanente é o que Deus chama bom.
Haveis comprovado que a maior devoção é apenas suficiente para demonstrar o que haveis adotado e ensinado e que o vosso trabalho, bem feito, dignificaria os anjos.
Fiel e humildemente haveis labutado durante toda a noite, e, ao raiar do dia, pescado muito. Às vezes, a vossa rede estava tão repleta que se rompeu: o orgulho humano, insinuando-se entre a sua malha, a estendeu alem do prudente; então, perdendo o controle do Amor divino, perdestes os vossos peixes e possivelmente culpastes mais aos outros do que a vós mesmos. Aqueles, porem, aos quais Deus faz “pescadores de homens” (marcos 1:17), não remarão rumo à praia; assim como Pedro lançar-se-ão em águas profundas, arrecearão as suas redes para o lado direito, compensarão o prejuízo e alcançarão um conceito mais elevado da idéia verdadeira. Nada do que Deus dá, se perde: se Ele tivesse enchido a rede, ela não teria se rompido.
A semente da Verdade deixada à sua própria vitalidade, se propaga; a erva-daninha não pode impedi-la. Nosso Mestre disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (mat. 24:35); e a fé de Jesus na Verdade não deve exceder a dos Cientistas Cristãos, que provam que o poder da Verdade é imortal.
O cristianismo meramente sectário que parte do púlpito e da alta sociedade, é de pouca duração, mas a Palavra de Deus perdura para sempre. Platão era pagão, mas a diferença que existia entre as suas doutrinas e as de Jesus não eram maiores do que a que existe hoje entre o catolicismo e o protestantismo. Eu amo a igreja ortodoxa e com o passar do tempo essa igreja amará a Ciência Cristã. Gostaria de, em especial, chamar a atenção desta Associação às seguintes crenças falsas que mais contribuem para desencaminhar a mente mortal:
A crença no anticristo, isto é, que alguém na carne é o filho de Deus, ou que é um outro Cristo, ou um filho adotado espiritualmente, ou um bebê incarnado; esta crença é o maligno—em outras palavras, o único mal—que se diverte com as sutilezas do pecado!
Mesmo pensadores sinceros, que não sabem de onde procedem tais enganos, podem considerá-los como verdades, antes de reconhece-los ou encará-los abertamente como ilusões. Os séculos estão sobrecarregados com costumes materiais. O hipnotismo, os micróbios, os raios X e o sentido desajuizado ocupam o tempo e o pensamento; e o erro, provisionado de novas oportunidades, os aproveitará. O mais justo homem não pode defender o inocente, nem descobrir o culpado, a não ser que saiba como ser justo; e este conhecimento requer o nosso tempo e a nossa atenção.
As etapas mentais do crime, que parecem pertencer aos dias mais recentes, são, na metafísica estritamente classificados como alguns dos muitos fatores e formas daquilo que, em casos extremos, se denomina corretamente de idiotice moral. Eu visitei o assassino do Presidente Garfield na sua cela e o encontrei no estado da chama idiotice moral. Ele não estava consciente do crime que havia praticado, antes o considerava como um simples ato de justiça e a si mesmo como vítima. Minhas poucas palavras o comoveram; afundou-se em sua cadeira, frouxo e pálido; a sua petulância havia desaparecido. O carcereiro me agradeceu e disse: “Outros visitantes trouxeram flores, mas a Senhora trouxe o que lhe fará bem”.
Este estado mental doentio manifesta-se primeiro em extrema sensibilidade; em seguida na perda da faculdade de conhecer-se e condenar-se a si mesmo, -- uma desconcertante incapacidade de reconhecer os próprios defeitos, mas uma exagerada sensação dos defeitos alheios. Se esta condição mental não é superada, termina em uma perda total de discernimento moral, intelectual e espiritual, caracterizada no seguinte trecho das Escrituras: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Salmos 14:1). Este estado da mente exemplifica a depravação total e é o resultado da mente sensual na matéria. A Mente, que é Deus, não está na matéria e a presença de Deus confere luz espiritual, na qual não há escuridão.
Se, o que é indiscutivelmente verdadeiro, “Deus é Espírito” (João 4:24), e o Espírito é o nosso Pai e a nossa Mãe, e, se tudo o que ele abrange é real e eterno, então se perde, quando o mal parece predominar e a luz divina parece estar obscurecida, o livre arbítrio moral; e então é iminente a visão do autor do Apocalipse, de que “ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta, ou o número do seu nome”(Apoc. 13:17).
Quem quer que manipule mentalmente a mente humana, sem com isto adquirir um sentido mais elevado da Verdade, perde altitude na escala moral e espiritual do ser, podendo, por seu próprio consentimento, cais nos abismos da perdição. Quem se recusa a ser influenciado por alguma mente que não seja a Mente divina, entrega o seu caminho a Deus e se eleva acima de sugestões de origem maligna. A Ciência Cristã mostra que, mediante a verdade científica, existe uma maneira de escapar do ultimato do mal da época presente, de modo que ninguém pode apresentar uma desculpa.
Já agora eu percebo nitidamente que a persistência na má-prática mental culmina em loucura, demência ou idiotice moral. Graças a Deus que a este mal pode resistir-se por meio do cristianismo autentico! O Amor divino é a nossa esperança, nossa fortaleza e o nosso escudo. Não temos nada a temer quando o Amor está no timão do pensamento, antes temos tudo para deleitar-nos na terra e no céu.
Os sistematizados centros da Ciência Cristã são fontes vivificantes da verdade. As nossas igrejas, “The Christian Science Journal” e o livrete Trimestral da Ciência Cristã, são recursos prolíficos de poder espiritual, cujo animo intelectual, moral e espiritual é sentido por todo o pais. A nossa Sociedade Editora e as nossas lições- sermão dominicais são de um valor inestimável para todos os investigadores da Verdade. O Comitê das lições para a Escola Dominical não pode dispensar tempo e atenção demais à sua tarefa e não deveria poupar investigações ao preparar o Livrete Trimestral como meio educativo.
Os professores de Ciência Cristã devem vigiar incessantemente a tendência does seus próprios pensamentos; devem cuidar para que estes não lhes sejam roubados secretamente e para que não lhes guiem erroneamente, ficando desta forma induzidos a ensinar erroneamente a outros. Os professores precisam ajustar-se estritamente as regras da Ciência divina, promulgadas na Bíblia e no livro-texto "Ciência e Saúde com a chave das Escrituras”. Eles mesmos devem praticar e ensinar a outros a praticarem o Decálogo hebreu, o Sermão do monte, bem como a compreensão e a enunciação destes, segundo Cristo.
Precisam estar sempre armados e resistir ao inimigo por dentro e por fora. Eles não podem armar-se em demasia contra o pecado original, que aparece de inúmeras formas: paixão, desejos, ódio, vingança e todos os etcéteras do mal. Por mais diligentemente que os Cientistas Cristãos cuidem, por mais cuidadosamente que cerrem as suas portas, ou por mais fervorosamente que orem a Deus para serem livrados das pretensões do mal, nunca o farão em demasia. Agindo desta forma, os Cientistas Cristãos silenciarão as sugestões malignas, descobrirão os seus métodos e acabarão com a influencia oculta que abrigam sobre a vida dos mortais. Estejam seguros que Deus, em Sua sabedoria, testará toda a humanidade em todas as coisas e, encontrando-nos fiéis, Ele nos libertará da tentação e nos mostrará a impotência do mal, -- sim, a sua completa inexistência.
O professor da Ciencia Cristã que não instrúi em especial a seus alunos como defender-se do mal e dos seus meios ocultos, e como proteger-se dos mesmos através do Cristo, a Verdade vivente, está cometendo uma afronta contra Deus e a humanidade. Tendo “Ciência e Saúde” por seu livro-texto, eu estou pasmada pela apatia de alguns estudantes sobre o tema pecado e má-prática mental, como ignorantemente culpáveis se mostram a respeito da ação destes—e até como deficiente é o ensino do próprio professor a este respeito. Um tal estado mental do professor, só posso explicar como sendo a conseqüência do pecado, ou então, que ele mesmo é culpado de ser um mal-praticista mental que teme ser descoberto como tal.
A indefesa ignorância da comunidade sobre este tema é lastimável e muito clara. Queira Deus capacitar os meus alunos a carregarem a cruz como eu o tenho feito e que respondam à premente necessidade de um preparo adequado do coração para praticar, para ensinar e para viver a Ciência Cristã! Os vossos meios de proteção e de defesa contra o pecado são: vigilância e oração constantes, para que não caís em tentação e para que, sejais liberados de toda a pretensão do mal, até que sabeis e, através da Ciência, demonstrais que o mal não tem prestigio, poder, nem existência, porquanto Deus, o bem, é Tudo-em-tudo.
A crescente necessidade de confiar em Deus para que Ele nos defenda contra as mais sutis formas do mal, nos faz recorrer a Ele menos reservadamente em busca de ajuda, vindo a ser um meio para alcançar graças. Se vivemos corretamente, todo o empenho para prejudicar-nos, só nos ajudará, pois Deus nos capacitará a sobrepujar tudo o que procura impedir o nosso progresso. Sabei isto: que não podeis vencer os efeitos perniciosos do pecado sobre vós mesmos, se vos entregais de alguma maneira ao pecado, pois mais cedo ou mais tarde sereis vitimados pelos vosso próprios pecados ou pelos de terceiros. Usando o poder mental só na direção correta, fazendo aos demais que quereis que eles vos façam, vencereis o mal pelo bem e destruireis a vossa própria sensibilidade pelo poder do mal.
O Deus de toda a graça esteja convosco e os guarde das “forças espirituais do mal, nas regiões celestes: (Efésios 6:12).
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Pleasant View, Concord, N.H.
3 de junho de 1895
DISCURSO PRONUNCIADO ANTE A ASSOCIAÇÃO DE CIENTISTAS CRISTÃOS DO COLÉGIO METAFÍSICO DE MASSACHUSETTS, EM 1893
Tema: OBEDIÊNCIA
Meus amados alunos: Esta pergunta, que sempre esteve mais perto do meu coração, ocupa hoje um lugar predominante: Estamos preenchendo corretamente o ritmo musical da vida, dando ênfase às suas grandiosas melodias, realçando a harmonia do ser com sons que produzem ecos agradáveis? Assim como o “crescendo” e o “diminuendo” dão inflexão a música, também as variadas melodias dos acordes humanos expressam o que se perde ou o que se ganha na vida, -- a perda dos prazeres e das dores da vida e de suas vanglorias: o ganho de sua doce harmonia, o valor das convicções sinceras e a obediência final à lei espiritual. O máximo da investigação cientifica e a sua consecução na Ciência divina, não é um argumento: não é simplesmente expressar a Palavra, mas praticá-la – demonstrando a Verdade, -- como o são os frutos da vigilância, da oração, das lutas, das lágrimas e do triunfo.
Obedecendo ao Princípio divino que professais compreender e amar, demostrais a Verdade. O nunca estar afastado de vossas funções, nunca estar desprevenidos, nunca estar mal humorados, mas sempre dispostos a trabalhar para Deus, -- é obediência; é ser fiel “no pouco” – (Mat. 25:23). Se em alguma ocasião não sejais obedientes, perdereis a norma cientifica e a sua recompensa, isto é: sereis colocados “sobre o muito” (mat. 25:23). Uma vida de progresso é a realidade da Vida que desdobra o seu Princípio imortal.
O estudante de Ciência Cristã precisa, em primeiro lugar, separar o joio do trigo; precisa saber discernir entre os modos de pensamento, motive e ato falsos e o propósito e a vontade verdadeiros, outorgados por Deus, -- evitar os primeiros e obedecer aos segundos. Isto o colocará no lado seguro da prática. Sempre sabemos aonde procurar o Cientista Cristão verdadeiro e sempre o encontraremos lá. Eu estou de acordo com o Revdo. Dr. Talmage, de que “há compreensão, bom humor e duradoura vivacidade entre o povo de Deus”.
A obediência é o resultado do Amor e o Amor é o Princípio da unidade, a base de todo o pensar e agir correto: ela cumpre a lei. Na proporção em que amamos, somos da mesma opinião e reconhecemos como somos reconhecidos, retribuímos bondade e trabalhamos sabiamente.
É difícil para mim cumprir com uma missão divina enquanto participo dos procedimentos, ou “modus operandi” (modos de agir), de outras pessoas. Indicar a um estudante cada passo que deve dar e depois vigiar para que dê cada passo indicado, requer tempo, -- e experiências são muitas vezes dispendiosas. Segundo o meu calendário, o tempo de Deus difere do dos mortais. O principiante tem a predisposição de ser apressado demais ou lento demais: ele trabalha, por assim dizer, na escuridão e às vezes fora da época; a meia noite pretende reabastecer a sua lâmpada e emprestar azeite de um observador mais previdente. Deus é a fonte da luz, e quando somos obedientes, Ele ilumina a nossa senda. Os desobedientes dão os seus passos antes do que Deus dê os Seus, ou os dão tarde demais para poder segui-Lo. Estai seguros de que é Deus quem dirige o vosso caminho; então, apressai-vos a seguí-lo sob quaisquer circunstancias.
A vontade humana deve ser dominada. Não podemos obedecer a Deus, o bem, e ao mesmo tempo ao mal, -- em outras palavras, os sentidos materiais, as sugestões errôneas, a obstinação, os motivos egoístas e o sistema humano. Não teremos fé no mal, quando a fé encontra um lugar onde repousar e a compreensão científica guiar o homem. A honestidade é, sob todas as circunstancias, a lei indispensável da obediência. Obedecer noventa e nove vezes, em cada cem, ao princípio da matemática e, em seguida, permitir que um único número torne inexato todo o vosso problema, não é Ciência nem obediência.
Por mais que os afetos humanos anseiam perdoar um engano e ajudar um amigo a passar serenamente por ele, não pode a nossa comiseração reparar o erro, promover o progresso individual, nem mudar este imutável mandamento do Amor: “Guardai os meus mandamentos”. A recompensa por uma fé ou fidelidade meritória, fundamenta-se na nossa disposição de trabalharmos a sós com Deus e para Ele, -- dispostos a sofrer pacientemente pelo erro, até que todo o erro é destruído e a Sua vara e o Seu cajado nos consolem.
A falta de conhecimento de si mesmo, a obstinação, a justificação própria, a luxúria, a cobiça, a inveja e a vingança, são inimigos da graça, da paz e do progresso: precisam ser enfrentados resolutamente e vencidos, do contrário desarraigam toda a felicidade. Tenham bom animo; a luta consigo mesmo é grandiosa; requer todo o nosso empenho, porém o Princípio divino age conosco e, através da obediência, o nosso persistente esforço será coroado com a vitória eterna. Qualquer tentativa do mal no sentido de prejudicar o bem, é fútil e termina em um abrasador castigo para o malfeitor.
Jesus disse: “Não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto sim, contamina o homem: (mat. 15:10). Se sugestões malévolas sussurrarem o mal por via do tímpano da mente, isto não seria uma desculpa para praticar o mal. Somos responsáveis pelos nossos pensamentos e nossas ações; em vez de favorecer as maquinações de outros, e obedece-las, -- e então lamentar o vosso infortúnio --, levantai-vos e destruí a ambos. Se um criminoso persuadir o incauto a cometer um crime, as nossas leis castigam o incauto por cumplicidade no ato. Cada um é responsável por si mesmo.
O mal não tem poder para alijar o homem reto da sua retidão. A natureza do individual, mais teimosa do que as circunstancias, sempre argüirá a seu favor, -- por seus hábitos, gostos e indulgencias. Esta natureza material esforça-se por inclinar o braço da balança a desfavor da natureza espiritual, pois a carne luta contra o Espírito—contra tudo ou todos que se oponham ao mal—inclinando poderosamente o prato da balança contra o elevado destino do homem. Esta conclusão não é um argumento a favor do pessimismo nem do otimismo, mas uma justificativa a favor do livre arbítrio moral—a plena isenção de qualquer obrigação para obedecer a um poder que n Ciência Cristã deveria ser, e é, impotente.
A insubordinação à lei do Amor, mesmo ao mínimo, ou a estrita obediência a ela, é a pedra angular que separa o Cientista Cristão legitimo do falso. A justiça um proeminente estatuto da lei divina, pergunta a todos os infratores dos escassos direitos individuais que cada um reserva, merecidamente, para si mesmo: Consentireis que outros derrubassem as balizas da vossa propriedade, manipulassem os vossos alunos, anulassem ou invertessem as vossas instruções, revogassem as vossas ordens, roubassem os vossos haveres e se evadissem da correspondente pena? Não! “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Mat. 7:23). Os que professam a Ciência Cristã, devem tirar os sapatos ante os nossos altares; já no umbral da Ciência Cristã devem desprender-se do sentido material das coisas; devem obedecer implicitamente a todos e a cada um do requisitos do Princípio divino durante o longo problema que representa a vida, ou terão que refazer a sua obra, banhados em lágrimas. Nas palavras de São Paulo: “Não sabeis que daquele a quem vos sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Rom. 6:16).
Amados alunos, sois obreiros leais que tendes operado valentemente e obtido grandes galardoes na vinha de nosso Senhor; mas uma grande vitória, uma grande liberdade para a humanidade, ainda está para ser ganha—o sucesso cristão está em pé de guerra—com toda a armadura, que não deve ser posta de lado. Regozijemo-nos, pois, que finalmente o toque de clarim da paz será ouvido acima do fragor da batalha, chegando mais docemente aos nossos ouvidos do que os sinos da vindima chegam aos aldeões do Reino.
Recomendo que daqui por diante esta Associação se reuna a cada três anos; muitos dos seus membros residem a uma grande distancia de Massachusetts; eles são membros de A Igreja Mãe e gostariam sobremaneira estar convosco aos domingos, e, afastar-se uma vez em cada três anos dos seus próprios locais de trabalho, é talvez o máximo que podem permitir-se.
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UM SERMÃO DE NATAL
(Pronunciado no Salão Chickering, Boston, Mass., no Domingo anterior ao natal de 1888)
Tema: O Salvador corpóreo e o incorpóreo
Texto: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. – Isaías 9:6
Para os sentidos, Jesus era o filho do homem; na Ciência, o homem é o filho de Deus. Os sentidos materiais não podiam reconhecer o Cristo, o Filho de Deus: a aproximação de Jesus a este estado do ser que o fez Jesus o Cristo, o semelhante a Deus, o ungido.
O profeta, cujas palavras elegemos para o nosso texto, profetizou o advento desta natureza dual, dotada tanto do humano como do divino, o Jesus pessoal e o impessoal.
O único relato sobre o nosso Mestre como benfeitor público, a Salvador pessoal, começa quando ele tinha trinta anos de idade, em parte, talvez, devido à lei judaica, pela qual ninguém devia ensinar ou pregar publicamente antes de completar essa idade. Ademais, é natural concluir que nesta conjuntura ele estava especialmente dotado do Espírito Santo, pois lhe foi dado o novo nome de Messias, ou Jesus Cristo, -- o ungido de Deus; assim como em época de inspiração sobrenatural, Jacó foi chamado de Israel e Saulo de Paulo.
O terceiro acontecimento deste período extraordinário, -- um período de um significado espiritual tão maravilhoso para a humanidade! – foi o advento de um cristianismo mais elevado.
Deste auge deslumbrante, coroado por Deus, apresentou-se subitamente o nazareno ante o povo e as suas escolas filosóficas: a Gnostica, a Epicurea e a Estóica. Ele teve que deter estes crescentes elementos coléricos e andar serenamente sobre as suas agitadas e encrespadas ondas.
Assim a cruz converteu-se no emblema da história de Jesus, enquanto que o ponto central de sua missão messiânica foi a paz, a boa vontade, o amor, o ensino e a cura.
Revestido de poder divino, Jesus estava preparado para conter a maré do judaísmo e para provar que o seu poder, derivado do Espírito, era supremo; estava preparado para colocar-se, qual cordeiro, sobre o altar do materialismo e daí elevar-se no Espírito a sua origem.
O Jesus corpóreo carregou as nossas fraquezas e através de suas chagas somos curados. Ele foi o Indicador do caminho e padeceu na carne, mostrando com isto aos mortais, como livrar-se dos pecados da carne.
Um Jesus de Nazaré incorpóreo não existiu. O homem espiritual, ou Cristo, foi criado a semelhança do Pai, sem corporalidade ou mente finita.
O materialismo, a mundanalidade, o orgulho humano ou a obstinação teriam desmoralizado os seus motivos e a sua semelhança com o Cristo e teriam destronado o seu poder como o Cristo.
Para levar a cabo o seu propósito sagrado, teria que esquecer o seu eu humano.
Sendo da linhagem de Davi, ele saiu tão simples como este jovem pastor, para desarmar o Golías. Revestido com a panóplia da fortaleza de uma exaltada esperança, fé e compreensão, ele procurou conquistar o três em um do erro: o mundo, a carne e o demônio.
Durante três anos ele andou por todas as partes praticando o bem. Durante trinta anos preparou-se para curar e ensinar divinamente; mas a sua missão de três anos foi uma maravilha de glória; a sua grinalda, uma tumba de desonra para o sentido mortal, -- da qual surgiu uma vitória sublime e eterna.
Ele, que datou o tempo, a era cristã. Que abarcou a eternidade, foi o homem mais humilde da terra. Curou e ensinou ao longo do caminho, em lares modestos; ao hipócrita notório e a discípulos insensíveis ele explicou a Palavra de Deus, a qual, desde então, amadureceu em interpretação por meio da Ciência.
As suas palavras foram articuladas na linguagem de um povo em decadência e encomendadas à providencia de Deus. Em nenhuma outra coisa ele pareceu menos humano e mais divino do que em sua fé inquebrantável na imortalidade da Verdade. Referindo-se a isto, disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão!” (Mat. 24:35) e elas não passaram: ainda estão vivas e constituem a base da liberdade divina, o veículo de comunicação da Mente, a esperança do gênero humano.
Um Salvador pessoal por somente três anos! Mesmo assim, os alicerces que assentou são tão eternos como a Verdade, a pedra angular primordial.
Após a sua breve e valente luta, e a crucificação do homem corpóreo, o Salvador incorpóreo—o Cristo ou a idéia espiritual que conduz a toda a Verdade—teria, necessariamente, que surgir por meio da Ciência Cristã, demonstrando a cura espiritual do corpo e da mente.
Esta idéia ou essência divina sempre esteve e está, para sempre, associada a “casa do pai” (Lucas 3:49), proclamando o Princípio da saúde, da santidade e da imortalidade.
A idéia incorpórea, ou o filho de Deus, é interpretada através do seu Princípio divino; segue daí que o incorpóreo se distingue assim do corpóreo: o primeiro é a idéia espiritual que representa o bem divino e o segundo é a manifestação humana da bondade no homem. A Ciência do cristianismo, que apareceu com o amadurecimento dos acontecimentos, revela o Cristo incorpóreo, e isto será percebido cada vez mais claramente, até que seja reconhecido, entendido, -- até que o Salvador, a Verdade, seja compreendido.
A visão dos Magos, esta idéia espiritual do princípio do homem ou do universo, apareceu como uma estrela. No começo, o menino Jesus pareceu aos mortais pequeno, mas do monte da revelação, o profeta o contemplou desde o princípio como o Redentor, que deveria representar uma maravilhosa manifestação da Verdade e do Amor.
No nosso texto, Isaías predisse: “E o seu nome será: Maravilhoso, conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da paz”.
À medida que os Magos compreenderam melhor o Cristo, a idéia espiritual, ela, para o bem deles, tornou-se cada vez mais forte. Assim esta idéia espiritual, na proporção em que for compreendida, continuará a crescer até que o homem seja reconhecido como verdadeira semelhança do seu Criador. O mais alto conceito que os Magos tinham do homem Jesus, que o representava com o Filho único de Deus, o unigênito do pai, cheio de graça e Verdade, alcançará através da lente da Ciência, tal magnitude para o conceito humano, que o homem, tanto da Ciência, tal magnitude par o conceito humano, que o homem, tanto coletiva como individualmente, se revela como filho de Deus.
O conceito limitado acerca das idéias de Deus surgiu do testemunho dos sentidos. A Ciência proporciona a evidencia de que Deus é o Pai do homem e de tudo o que é real e eterno. Esta idéia espiritual que o Jesus pessoal demonstrou, quando há mais de dezoito séculos expulsava males e curava enfermos, desapareceu gradativamente; não só por causa da ascensão de Jesus, pela qual ficou evidenciado que ele se elevou acima do conceito humano que dele se tinha, como também devido a corrupção da Igreja.
O derradeiro aparecimento da Verdade será uma idéia totalmente espiritual acerca de Deus e do homem, sem os obstáculos da carne, ou da corporalidade. Esta infinita idéia da infinidade é e será tão eterna quanto o seu Princípio divino. A estrela dálva deste aparecimento é a luz da Ciência Cristã—a Ciência que rasga o véu da carne de cima até embaixo. A luz desta revelação não deixa nada que seja material; nem ignorância, nem dúvidas, nem moléstia, nem morte. A corporalidade material desaparece e a espiritualidade individual, perfeita e eterna, aparece—para nunca mais desaparecer.
A Verdade que Jesus proferiu e viveu, faz dos seus seguidores of herdeiros do seu exemplo. Ao partir, ele deixou aos mortais o rico legado daquilo que disse e fez, mas eles não conseguem apreciar nem apoderar-se dos seus tesouros de Verdade e Amor, até que se elevem a eles mediante o seu próprio crescimento e as suas próprias experiências. A bondade e a graça de Jesus adquiriram os meios para redimir os mortais do pecado, mas nunca pagaram o preço do pecado. Ninguém a não ser o próprio pecador pode pagar este preço, e conforme cada um acerta esta conta com o Amor divino, estará preparado para valer-se das ricas bênçãos que emanam dos ensinamentos, do exemplo e do sofrimento do nosso Mestre.
As reservas secretas da sabedoria precisam ser descobertas, os seus tesouros precisam ser novamente demonstrados e presenteados ao mundo, antes que o homem possa sinceramente chegar à conclusão de que ele representa a classe, a maneira e a origem imaculada do homem, de acordo com a Ciência divina, que é a única que demonstra o Princípio divino e a idéia espiritual do ser.
O monumento cujo dedo indica para o alto, lembra a vida terrena de um mártir; mas isto não representa por inteiro o filantropo, o herói e o cristão. A Verdade que ele ensinou e expressou, vive e move-se entre nós qual inspiração divina. Assim é que a idéia Cristo—ou a infância a masculinidade e a feminidade impessoais da Verdade e do Amor—ainda está conosco.
E o que há com este menino? “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros”.
Este menino, ou esta idéia espiritual, evoluiu um ouvido mais atento para a introdução da música angelical e a compreensão científica da Verdade e do Amor. Quando o Cristo, a idéia incorpórea de Deus, ainda não tinha nome e não havia uma Maria que pudesse explicar a sua origem espiritual, a idéia espiritual de homem também não foi compreendida. A religião judaica até exigiu da Virgem-mãe que ela fosse ao templo para purificar-se, por ter dado a luz ao menino Jesus corpóreo, cuja origem era mais espiritual do que os sentidos podiam interpretar. Assim como o fermento que uma certa mulher misturou com três medidas de farinha, a Ciência de Deus e a idéia espiritual, denominada neste século por Ciência Cristã, está levedando a massa do pensamento humano, até que toda a massa ficar levedada e todo o materialismo desaparecer. Esta ação da energia divina, mesmo quando não é reconhecida, chegou a ser considerada como propagadora das mais preciosas bênçãos. Esta idéia espiritual, ou Cristo, penetrou até nos seus últimos detalhes na vida do Jesus pessoal. Ela o fez um homem honrado, um bom carpinteiro e um bom homem, mesmo antes de torná-lo o glorificado.
Na época atual, as perguntas materiais que se fazem sobre a reaparição do conceito infantil do homem criado por Deus, assemelham-se às de uma mãe carnal, mesmo que as respostas, segundo a Ciência Cristã, se referem à idéia espiritual:
Está ele deformado?
Ele é totalmente simétrico, o de todo amável.
É o recém-nascido um filho ou uma filha?
Ambos, filho e filha, ou seja, a idéia composta de tudo o que se assemelha a Deus.
Quanto pesa?
A sua substancia excede em peso o mundo material.
Que idade tem?
Os seus dias não tem princípio nem fim.
Como se chama?
A Ciência do Cristo.
Quem são os seus pais, irmãos e irmãs?
O seu pai e a sua Mãe são a Vida, a Verdade e o Amor divinos; os sues irmãos são aqueles que fazem a vontade do seu Pai.
É ele herdeiro de alguma propriedade?
“O governo está sobre os seus ombros.”. Ele tem domínio sobre toda a terra, e em reverencia à sua origem exclama; “Graças te dou, ó Pai, senhor do céu e da terra porque ocultaste estas cousas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Lucas 10:21).
É ele maravilhoso?
As suas obras demonstram que o é. Ele dá poder, paz e santidade; exalta o humilde; dá liberdade ao cativo, saúde ao enfermo, salvação do pecado ao pecador—e domina o mundo!
Ide e comunicai as coisas que vedes e ouvis: como os cegos recuperam física e espiritualmente a vista; como os coxos, aqueles que cambaleiam entre duas opiniões ou mancam com muletas, andam; como os física e moralmente leprosos são limpos; como os surdos—aqueles que, tendo ouvidos, não ouvem, e que sofrem de “tímpano cerebral”: -- ouvem; como os mortos, os sepultados em dogmas e padecimentos físicos, são ressuscitados; que aos pobres, -- ao humilde em Cristo, não ao rabino feito pelo homem, -- é pregado o evangelho. Observai isto: só os puros em espírito, os livres de vanglória e de conhecimentos vãos, recebem a Verdade.
Aqui termina o diálogo, e uma voz procedente do céu parece dizer: “Vinde e vede”.
Os profetas do século dezenove repetem: “Um filho se nos deu”.
Os pastores exclamam: “Vimos o aparecimento da estrela!” e os limpos de coração aplaudem.
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LAGOA E PROPÓSITO
Amados alunos: -- Ao agradecer-lhes o vosso obséquio da formosa lagoa que tendes oferecido a Pleasant View em Concord, New Hampshire, não faço distinção entre os meus alunos e os vossos, pois aqui, o vosso se torna o meu mediante a gratidão e o afeto.
Cada vez que contemplo este sorriso da Ciência Cristã da janela do mirante, esta oferta dos meus e dos vossos alunos sempre refletirá o seu amor, lealdade e boas obras. Salomão disse: “Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem.”
As águas que correm entre os vales, e que haveis gentilmente tem persuadido a que, no seu caminho, me visitassem, tem, durante séculos, auxiliado a imaginação. A teologia batiza religiosamente com água, a medicina a aplica fisicamente, a hidrologia a utiliza, por assim dizer, cientificamente, e a metafísica a utiliza especificamente como símbolo e sombra. Metafisicamente, o batismo serve para repreender os sentidos e ilustrar a Ciência Cristã.
Primeiro: O batismo de arrependimento é certamente um estado penoso da consciência humana, no qual os mortais adquirem severos conceitos de si próprios; um estado de animo que rasga o véu que oculta a deformidade mental. As lágrimas inundam os olhos, a agonia luta, o orgulho se revolta, e um mortal parece um monstro, uma escura e impenetrável nuvem de error; e, caindo ajoelhado em oração, humilde perante Deus, grita: “Salva-me, ou eu pereço”. Assim a Verdade, sondando o coração, neutraliza e destrói o erro.
Esse estado de ânimo as vezes é crônico, mas mais freqüentemente agudo. Do começo até o fim, ele vem acompanhado por dúvida, esperança, tristeza, alegria, derrota e triunfo. Quando a bom combate for, o erro entrega as suas armas e beija os pés do Amor, enquanto a paz alada de branco canta ao coração um cântico angelical.
Segundo: O batismo do Espírito Santo é a purificação do pecado através do espírito da Verdade; que dá aos mortais novos motivos, novos propósitos, novos afetos, todos apontando para o alto. Esta condição mental converte-se em fortaleza, liberdade e numa profunda fé em Deus; e em uma acentuada diminuição de fé no mal, e na sabedoria, na prudência, e nos meios e métodos humanos. Desenvolve a capacidade individual, aumenta as atividades intelectuais e vivifica de tal forma a sensibilidade moral, que as grandes demandas do sentido espiritual são reconhecidas, repreendendo, por sua vez, os sentidos materiais que exercem domínio sobre a consciência humana.
Ao purificar o pensamento humano, este estado de animo impregna com intensificada harmonia até os mínimos assuntos humanos. Traz consigo previsão, sabedoria, e poder maravilhosos; renuncia ao propósito mortal, dá firmeza à resolução e sucesso ao empenho. Com o aumento da espiritualidade, Deus, o Principio divino da Ciência Cristã, literalmente governa as aspirações, a ambição e os atos do Cientista Cristão. O governo divino proporciona prudência e energia; ele extermina para sempre toda inveja, rivalidade, todo o mau pensamento, maledicência e más ações; e a mente mortal, assim purgada, obtém paz e poder além de si mesma.
Esta Ciência Cristã praticada é a Mente divina, a Verdade e o Amor incorpóreos, que brilha através das névoas do materialismo, dissipando as sombras chamadas pecado, doença e morte. Na experiência dos mortais, o fogo do arrependimento separa em primeiro lugar a escória do ouro, e a reforma traz a luz que dissipa as trevas. Assim opera o espírito da Verdade e do Amor no pensamento humano e, como diz São João, “Ele há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.”
Terceiro: O batismo do Espírito, ou a imersão final da consciência humana no oceano infinito do Amor, é o último cenário para o sentido corporal. Este ato onipotente fecha a cortina sobre o homem material e a mortalidade. Depois disto, a identidade ou consciência do homem só reflete o Espírito, o bem, cujo ser visível é invisível para os sentidos físicos: nem os olhos viram, por ser a individual e desincorporada substância-Espírito e consciência, que na metafísica cristã é denominada o homem ideal— para sempre impregnado de vida eterna, eterna santidade, e eterno paraíso. Esta ordem da Ciência é a vínculo dos séculos, que mantém sua óbvia correspondência, e une todas as épocas, no desígnio divino. O arrependimento do homem mortal e o seu absoluto abandono do pecado, dissolve finalmente toda a suposta vida material, ou sensação física, e o homem corpóreo ou mortal desaparece para sempre. As gravosas moléculas mortais, chamadas homem, desaparecem como um sonho; mas o homem nascido da grande Sempiterno, continua vivendo coroado e abençoado por Deus.
Os mortais que nas orlas do tempo aprendem a Ciência Cristã, e vivem o que aprendem, progridem rapidamente rumo ao céu—o eixo sobre o qual giraram todas as revoluções naturais, civis o religiosas, as primeiras sempre ao serviço seguintes—passando do mutável ao permanente, do impuro ao puro, do torpe ao sereno, do extremo ao equilibrado. Elevando-se acima das ondas do Jordão, que se precipitam contra a margem em retrocesso, ouvem-se as boas-vindas do Pai-Mãe, dizendo eternamente aos batizados do Espírito: “Este é o meu Filho amado”. O que, além da Ciência divina pode interpretar a existência eterna do homem, o fato que Deus é Tudo, e a indestrutibilidade científica do universo? As etapas progressivas da Ciência Cristã são adquiridas através do desenvolvimento, não por acréscimo; a ociosidade é inimiga do progresso. O crescimento científico não manifesta debilidade, nem emasculação, nem visão ilusória, nem distração sonhadora, nem insubordinação às leis existentes, nem perda ou carência do que constitui o verdadeiro homem.
O crescimento é governado pela inteligência; por Deus, o Princípio ativo, onisciente, criador de leis, disciplinador de leis, e cumpridor de leis. O verdadeiro Cientista Cristão salienta constantemente a harmonia em suas palavras, e em seus atos, mental e oralmente, repetindo perpetuamente este diapasão do céu: “O bem é o meu Deus, e o meu Deus é o bem. O Amor é o meu Deus, e o meu Deus é o Amor”.
Amados alunos, haveis entrado na senda. Persisti pacientemente nele; Deus é o bem, e o bem é a recompensa de todos aqueles que diligentemente procuram Deus. O vosso progresso será rápido, se amais o bem acima de tudo e compreendeis e obedeceis ao Indicador do caminho, o qual, indo diante de vós, escalou a íngreme encosta da Ciência Cristã, está sentado no topo do monte da santidade, a morada do nosso Deus, e submerge-se na pia batismal do Amor eterno.
Enquanto passeais e as vezes ansiais descansar “junto das águas de descanso,” meditai à respeito desta lição de amor. Percebei o seu propósito; e com esperança e fé, onde os corações se encontram e se abençoam reciprocamente, bebei comigo das águas vivas do espírito do propósito da minha vida—inculcar na humanidade o genuíno reconhecimento da prática e eficaz Ciência Cristã.
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“FAÇA-SE A TUA VONTADE”
Esta é a lei da Verdade que diz ao erro: “Certamente morrerás”. Esta lei tem vigor divino. Os mortais não podem impedir o cumprimento desta lei; ela abrange todo e qualquer pecado e seus efeitos. Deus é tudo, e em virtude desta natureza e totalidade, Ele conhece unicamente o bem. Assim como uma lei que governa milhões de mortais, os quais os legisladores não conhecem, a lei universal de Deus não conhece o mal; penetra no coração humano e o governa sem conhecê-lo.
Os mortais só precisam submete-se à lei de Deus, concordar com ela e deixar que se faça a Sua vontade. Esta ação ininterrompida da lei do Amor divino, proporciona descanso aos fatigados e sobrecarregados. Mas Quem está disposta a fazer a Sua vontade e deixar que esta se faça? Os mortais obedecem à sua própria vontade, desobedecendo assim ao divino mandamento.
Todas as fases e os estágios do erro humano são combatidos e vencidos pela Verdade divina, ao negar o erro pela forma determinada por Deus. “O Senhor corrige a quem ama”. A Sua vara revela o Seu amor e interpreta aos mortais o evangelho da cura. Davi disse: “Antes de ser humilhado andava perdido, mas agora guardo a tua palavra”. Aquele que desde o começo já sabe o que vem depois, impõe ao pecado merecidos castigos que lhe servem de antídotos e remédios.
Quem és tu, vão mortal, que usurpas a prerrogativa da sabedoria divina e que queres ensinar a Deus para não castigar o pecado? –que queres calar a boca dos Seus profetas e gritar: “Paz, paz; quando não há paz”, --sim, que curas feridas do meu povo com leviandade?
Sendo o Amor o Princípio da Ciência divina, a regra divina deste Princípio demonstra Amor e prova que a crença humana cumpre a lei da crença e sucumbe por causa desta. A metafísica também demonstra este Princípio da cura, quando o pecado é destruído por si mesmo. A míope medicina admite as assim chamadas dores da matéria que destróem os seus prazeres, mais perigosos do que as dores.
A insônia obriga os mortais a reconhecer que nem o esquecimento nem os sonhos podem recuperar a vida do homem, cuja vida é Deus, pois Deus não cochila nem dorme. A perda do prazer gustativo e as moléstias da indigestão tendem a repreender o apetite e a destruir a paz de um falso sentido. Um falso prazer será e é punido; ele não tem direito de estar em paz. Sofrer por Ter “outros deuses diante de mim”, é sabedoria divina. Más paixões morrem em suas próprias chamas, porém, serão castigadas antes destas estarem extintas. A paz não tem apoio na falsa base de que o mal deveria ser ocultado e que, ainda assim, seria acompanhado pela vida e a felicidade. A alegria sustenta-se a si mesma; a bondade e a felicidade são uma: o sofrimento, nos impomos a nós mesmos e o bem triunfa sobre o mal.
O egotismo e a falsa caridade dizem a esta lógica científica e à lógica dos acontecimentos: “’ O não, Senhor’; sábio é ocultar a iniquidade e não castigá-la; então os mortais terão paz”. O Amor divino, tão inconsciente do erro como incapaz de cometê-lo, persegue o mal que trata de esconder-se, arranca o seu disfarce e—veja só o resultado: o mal, desmascarado, destrói-se a si mesmo.
A Ciência Cristã jamais curou um paciente sem provar com exatidão matemática que o erro, quando descoberto, é destruído em dois terços de suas partes, e o remanescente terço aniquila-se a si mesmo. Lamentar-se-iam os homens ao verem um ninho de serpentes, colocando cartazes ao seu redor para prevenir às pessoas não provocarem estes répteis porque tem aguilhões? Cristo disse: “Pegarão em serpentes” e “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas”. A prudência da serpente consiste em ocultar-se. A sabedoria de Deus, tal como é revelada pela Ciência Cristã, tira serpente do seu esconderijo, subjuga-a e elimina o seu aguilhão. As boas ações são inofensivas. Aquele que acredita que a mulher se adapta de forma especial para liderar o caminho na Ciência Cristã, não se espantará quando ela coloca o seu pé sobre a cabeça da serpente, quando esta morder-lhe o calcanhar.
A intemperança produz uma crença de mau funcionamento do cérebro, das membranas, do estômago e dos nervos; e esta crença serve pra desmascarar e matar esta serpente emboscada, a intemperança, que se esconde sob o falso pretexto de uma necessidade humana, de um prazer inocente e de uma prescrição médica. A crença em doenças venéreas arranca a negra máscara da testa desvergonhada da libertinagem, atormenta a sua vítima, podendo, assim, salvá-la do seu destruidor.
A caridade tem o valor da convicção; pode ser sofrida, mas não é nem covarde nem temerária para encobrir a iniquidade. A caridade é Amor e o Amor abre os olhos do cego, repreende o erro e lança-o fora. A caridade jamais foge ante o erro, mesmo que sofra por causa de um choque com ele. Amai a vossos inimigos, ao contrário não vos livrareis deles; e, se os amais, os ajudareis a reformarem-se.
Cristo indica o caminho da salvação. O seu modo de agir não é covarde, isento de caridade, nem imprudente; antes ensina aos mortais a subjugar serpentes e lançar fora o mal. A nossa própria visão deve ser clara se quisermos abrir os olhos dos outros, do contrário um cego guiará outro cego e ambos cairão. A caridade doentia que obsequeia criminosos com ramalhetes de flores, tem sido tratada sumariamente pelo bom julgamento do povo do antigo “Bay State” [Massachusetts). As desumanas leis médicas a legislação que faz distinção de classes e a feitiçaria de Salem, não são nativos do seu lugar.
“Das profundezas clamo a ti, Senhor”. O homem recém-salvo da onda impiedosa que o afogava, não está consciente do sofrimento. Por que, então, interromper a sua paz e fazê-lo sofrer, devolvendo-o a vida? Par salvá-lo da morte. Logo, se um criminoso está em paz consigo, não deveríamos Ter pena dele e devolvê-lo à vida? Ou terias medo de faz6e-lo, porquanto ele poderia sofrer com isto, pisotear as pérolas do teu pensamento e voltar-se contra ti e despedaçar-te? A covardia é egoísmo. Quando alguém se protege às expensas do seu próximo, deve recordar: “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-a”. Nada arrisca aquele que obedece `a lei de Deus; ele encontrará a Vida que não pode ser perdida.
Nosso mestre disse: “Bebereis o meu cálice”. Jesus assaltou o pecado em suas cidadelas e manteve paz com Deus. Ele bebeu deste cálice, deu graças e disse a seus seguidores: “Bebei dele todos”, --Bebam dele tudo e deixai que todos bebam dele. Ele viveu o espírito da sua oração—“Venha o Teu reino”. Devemos rezar o “Pai Nosso” quando o coração o nega, quando se recusa a carregar a cruz e a cumprir as condições da nossa súplica? O modo de proceder humano é como um tolo que diz ao seu coração: “Não existe Deus” –um Judas acariciador que nos atraiçoa e se suicida. Este procedimento ímpio nunca sabe o que é felicidade, nem como é alcançada.
Jesus cumpriu a sua obra e nos deixou a sua gloriosa carreira como exemplo. À beira do lago Genesaré fez lembrar concisamente a seus discípulos a linha de conduta mundana que eles seguiam. Eles sofreram e reconheceram o seu erro. Esta experiência os fez recordar a reiterada advertência do seu Mestre e lançaram suas redes para o lado direito. Quando estiveram preparados para serem abençoados, receberam a benção. A impossibilidade de seus recursos humanos, de encontrar meios e arbítrios, deveria silenciar os nossos. Um passo afastado da linha reta da Ciência divina lhes custou—o que? Um rápido retorno à sombra do reino de dificuldades, escuridão e trabalho infrutífero.
As correntezas da natureza humana precipitam-se contra o rumo correto; saúde, felicidade e vida não se dirigem a nenhum dos seus canais. A lei do Amor diz: “Não se faça a minha vontade, mas a Tua”, e o Amor, o Cristo imaculado, é a recompensa.
Se, consciente ou inconscientemente, alguém está trabalhando equivocadamente, quem saltará para a frente abrindo-lhe os olhos para poder enxergar o engano? Aquele que é um Cientista Cristão, aquele que tirou a trave do seu próprio olho, fala francamente ao infrator e procura mostrar-lhe os seus erros antes de deixar outros saberem à respeito.
Amigos compassivos baixaram da cruz a forma desfalecente de Jesus e a sepultaram, ficando, com isto, fora do alcance da sua visão. Seus discípulos, que ainda não haviam bebido do seu cálice, o perderam de vista; não puderam perceber o seu ser imortal sob a forma de sua semelhança com Deus.
Todo o bem que eu escrevi, que ensinei ou que vivi, foi o resultado da cruz que carreguei, do esquecimento de mim mesma e da minha fé na justiça. O sofrimento ou a Ciência, ou ambos, na proporção em que os sues ensinamentos são assimilados, mostrarão o caminho, abreviarão o processo e farão frutificar as alegrias que se experimentam ao aceitarmos os métodos do Amor divino. As Escrituras dizem: “Ö que encobre as suas transgressões, jamais prosperará”. Não há risco maior do que negligenciar as oportunidades que Deus nos oferece e o não prevenir e preparar em tempo os nossos semelhantes contra o mal que, se descoberto, pode ser destruído.
Queiram os eus amigos e os meus inimigos beneficiar-se destes indicadores do caminho de tal maneiro que as suas próprias vidas possam aperfeiçoar-se através daquilo que disciplinou e iluminou o caminho de outros, mediante gentis bênçãos. Em todas as épocas, o reformador pioneiro precisa passar por um batismo de fogo. Mas os fieis adeptos da Verdade prosseguiram com júbilo. A Ciência Cristã nos proporciona asas destemidas e uma firme base. Estes são os sons inspiradores dos lábios do nosso mestre: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”. “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão”. Não é senão um “assalariado”, aquele que foge quando vê chegar o lobo.
Leais Cientistas Cristãos, tenham bom animo: a noite avançou consideravelmente, aproxima-se o dia; o reino universal de Deus aparecerá, o Amor reinará em todos os corações e a Sua vontade será feita, assim na terra como no céu.
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PRÁTICA MENTAL
Admita-se que os mortais pensam de modo perverso e agem de modo perverso: os pensadores começam a perceber que os mortais também pensam de uma forma doentia. Em linguagem comum, uma pessoa sente-se enferma e um outra maldosa. Uma terceira sabe que, se quiser remover estes sentimentos em cada um dos casos, teria que, em um caso, mudar a consciência do paciente, do seu mal-estar e sofrimento para uma consciência de bem-estar e de liberação do sofrimento, enquanto que no outro caso teria que mudar o sentimento do paciente do seu prazer no pecado para um de desgosto no pecado e de paz com a bondade.
Ciência Cristã é isto: que a mente mortal faz adoecer e que a mente imortal cura; que a mente mortal produz pecadores, enquanto a Menta imortal cria santos; que um estado de saúde é somente um estado de consciência que se manifesta no corpo, e vice-versa que enquanto uma pessoa pensa e age perversamente, uma outra sabe que, caso conseguir mudar este sentimento e esta consciência de maldade para um sentimento de bondade, ou um desejo consciente de praticar o bem, os frutos do bem não faltarão e ela terá reformado o pecador.
Agora demonstrai esta regra, que se manifesta em toda a área da cura mental, e reconhecerás que uma regra correta age corretamente e uma regra falsa em sentido contrário.
Suponhamos uma pessoa doente que uma outra pretende curar mentalmente. O sanador começa com argumentos mentais. Ele afirma mentalmente: “Você está bem e você o sabe”, apoiando esta força silenciosa com explicações audíveis, testemunhos e exemplos. Os seus argumentos mentais e orais tendem a desmentir os pensamentos, as palavras e as ações do enfermo, que seguem em uma certa direção, desviando-os para os caminhos da Verdade. Ele persiste neste curso até que a mente do paciente cede e o pensamento harmonioso exerce completo domínio sobre esta mente à respeito do assunto em questão. A meta é alcançada e o paciente diz e sente; “Estou curado e o sei”.
Este praticista mental desviou a consciência do seu paciente da doença para a saúde. O estado mental do paciente é agora diametralmente oposto ao que era quando o praticista mental começou a transformá-lo e o paciente melhorou moral e fisicamente. Que este método mental tem poder e ‘’e frutífero, é evidente, tanto ao Cientista Cristão consciencioso como àquele que o tem observado em si. Ambos deveriam compreender com igual clareza que, se este processo e poder mentais fossem invertidos e as pessoas cressem que um homem está doente e ele o soubesse; se falassem dele e dissessem que está doente, inculcando isto na mente dos demais, o publicassem nos jornais, afirmassem que ele está decaindo e persistissem nesta influencia de uma mente sobre outra, resultaria que o citado homem se sentisse realmente doente—como Jesus disse daquela mulher, que aconteceria de acordo com a crença dela; se o homem, porém, através da Ciência, sabe seguramente que um erro de crença não possui o poder da Verdade e que, por isso, não pode produzir nem produz o menor efeito, então o erro não tem poder sobre ele. Desta maneira, é possível que um mal-praticista perca o seu poder para prejudicar, usando um argumento mental falso, pois quando nos aproveitamos da oportunidade para enfrentar o erro e dominá-lo, progredimos nas leis da metafísica, aprendendo com isto mais à respeito do seu Princípio divino. O erro produz sofrimentos físicos e estes sofrimentos demonstram o Princípio fundamental da Ciência Cristã, a saber: que o erro e a doença são um e que a Verdade é o seu remédio.
O malfeitor pouco pode fazer para evitar os efeitos que o pecado tem sobre ele, a não ser que creia que o pecado tenha produzido o efeito e que saiba que ele é um pecador; se, ao contrário, sabe que é um pecador e o nega, o bom efeito se perde. Qualquer destes estados da mente anulará o poder para curar mentalmente. Isto explica tantas enfermidades misteriosas e a impotência de muitos praticistas mentais.
Repito: Se o erro é a causa da doença e sendo a Verdade a que efetua a cura, então a negação deste fato em um caso e o seu reconhecimento em outro, arruina a nossa compreensão da Ciência de cura-pela Mente. Uma tal negação destrona a demonstração da Verdade, desconcerta o estudante da cura-pela-Mente e desliga o seu trabalho da Ciência. Uma tal negação também contradiz a doutrina de que devemos lutar mentalmente tanto contra o mal como contra a doença, sendo como afirmar que cinco vezes dez são cinqüenta, enquanto que dez vezes cinco não são cinqüenta; como se a multiplicação dos mesmos dois números não produzisse o mesmo resultado, tomando qualquer deles como multiplicando.
Quem informaria a um outro sobre um crime que ele mesmo está cometendo, ou chamaria a atenção pública sobre este crime? A crença no mal e no processo do mal leva em si a sentença de morte ao malfeitor. Esta crença priva o homem do seu sentido correto do bem, conferindo-lhe um sentido falso, tanto do mal como do bem. Inflama a inveja, a paixão, a maledicência e a disputa. Inverte a Ciência Cristã em todas as minúcias. Induz a sua vítima a crer que está progredindo, enquanto está prejudicando a si e aos demais. Este falso estado de consciência causa à sua vítima , em muitos casos, grandes sofrimentos físicos, mas, ao convencer-se do seu errado estado de sentimento, reforma-se e assim se cura; caso não se convencer, porém, e não se reformar, paralisa-se moralmente; - em outras palavras: converte-se em um idiota moral.
Neste estado de consciência mal dirigido, o homem está disposto a escutar complacentemente as mentiras audíveis às quais em outra época havia resistido e que detestava, e isto porque o falso lhe parece como verdadeiro. O argumento mental malicioso e o seu efeito sobre a mente do perpetrador, é fatal, moral e fisicamente. Raramente o sujeito desperta a tempo dos efeitos da má prática mental, devendo sofrer os seu pleno castigo após a morte. Este pecado contra a Ciência divina é anulado unicamente através da agonia humana: --com a medida com a qual ele mediu, ser-lhe-á remedido.
Os crimes cometidos sob este novo sistema de poder mental, quando trazidos à luz, farão corações fortes fraquejar. O mistério deste sistema ainda o protege, pois ainda não é conhecido. O erro é mais abstrato do que a Verdade. Mesmo o Princípio que cura, cujo poder parece não ter explicação, não é tão obscuro, pois este é o poder de Deus, e o bem deveria parecer mais natural do que o mal.
Jamais esquecerei o que me custou investigar, para esta época, os métodos e o poder do erro. Enquanto o conhecimento dos meios, dos arbítrios e da potência da Verdade fluíram à minha consciência, tão facilmente como amanhece a alvorada e fogem as sombras, o mistério metafísico do erro—os seus modos, seus propósitos e frutos ocultos—me desafiaram no começo. Eu me dizia constantemente: “No seu segredo não entres” [de acordo com a tradução inglesa]–mas finalmente empreendi a investigação de acordo com o mandato de Deus.
Os cursos de água que purificam, procedem necessariamente de fontes puras, ao passo que as corredeiras impuras fluem de fontes corrompidas. Aqui, a luz, a lógica e a revelação divina coincidem.
A Ciência demonstra indiscutivelmente que a arvore se conhece pelos seus frutos; que a mente alcança o seu próprio ideal e não pode ser separada dele. Eu respeito este sentimento moral que é suficientemente forte para julgar o que crê e, se necessário, dizer: “Desconfio que a Mente tenha poder para curar”. Este indivíduo não acredita na cura-pela-Mente e é conseqüente. Mas, ai de mim! Ao erro de crer na cura mental, confessando total fé no Princípio divino, e dizendo: “Eu sou um Cientista Cristão”, enquanto fazemos a outros o que resistiríamos ao máximo que se fizesse a nós.
Queira o Amor divino impregnar de tal maneira os afetos de todos aqueles que nomearam o nome de Cristo no seu sentido mais amplo, de modo que nenhuma influencia contrastante possa obstruir o seu crescimento ou manchar o seu exemplo.
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SENTIR-SE OFENDIDO
Há uma imensa sabedoria no antigo provérbio: “melhor é o longânime do que o herói da guerra”; Hannah more disse: “Se desejasse castigar o meu inimigo, deveria incitá-lo a odiar alguém”.
Castigar-se a nós mesmos pelas faltas de outrem, é superlative tolice. Uma flecha mental lançada pelo arco de um outro, é praticamente inofensiva, a não ser que o nosso próprio pensamento o muna de farpas. É o nosso orgulho que faz que a crítica alheia nos irrita, é nossa teimosia que faz a ação alheia ofensiva, nosso egotismo que se sente ferido pela presunção alheia. Bem poderíamos sentir-nos feridos pelas nossas próprias faltas, mas dificilmente podemos consentir sermos infelizes em virtude das faltas de outrem.
Um cortesão informou certa ocasião a Constantino que uma turba havia quebrado a pedradas a cabeça de sua estátua. O imperador, levando as mãos à cabeça, exclamou: “É muito surpreendente, mas não me sinto nem um pouco ferido”.
Deveríamos recordar que o mundo é vasto; que existem mil milhões de diferentes vontades, opiniões, ambições, paladares e amores humanos; que cada pessoa tem uma história, constituição, cultura, caráter diferente de todas as demais; que a vida humana é o trabalho, o jogo, a incessante ação e reação de uma sobre a outra destas particularidades. Portanto, deveríamos prosseguir na vida com o mínimo de esperança, mas com o máximo de paciência, com um vivo desejo de regozijar-nos com todo o formoso, grandioso e bom, e apreciá-lo, mas com um estado de animo tão genial que o atrito do mundo não afetasse a nossa sensibilidade; com uma serenidade de espírito tão firme, que nenhum hálito passageiro nem um distúrbio acidental a agitasse ou perturbasse; com uma caridade suficientemente ampla para encobrir o mal de todo o mundo e o suficientemente doce para neutralizar o que é amargo nela, -- determinados a não estarmos ofendidos quando não houve má intenção, nem mesmo quando a houve, a não ser que a ofensa seja dirigida contra Deus.
Nada além dos nossos próprios erros deveria ofender-nos. Aquele que propositadamente tentar ofender o seu próximo, merece antes pena do que ressentimento; e me pergunto se existe alguém o bastante adulador, tolo ou mentiroso, que possa ofender uma mulher de alma íntegra.
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CIÊNCIA CRISTÃ
A época atual aspira por um Princípio perfeito de todas as coisas; ela anseia pela perfeição na arte, na invenção e na fabricação. Porque, então, a religião deveria permanecer inalterada e porque não haveríamos de alcançar um cristianismo mais perfeito e mais prático? Nunca é certo atrasar-se nas coisas mais essenciais, procedentes da norma do bem que regula o destino humano. A habilidade humana não faz mais do que prestigiar aquilo que no futuro há de surgir como a sua origem divina. Na proporção em que formos abandonando os sistemas e as teorias materiais, as doutrinas e os dogmas pessoais, para humildemente subirmos a colina da Ciência, alcançaremos o máximo de perfeição em todas as coisas.
O Espírito é onipotente; portanto, um cristianismo mais espiritual será um que terá mais poder, pois aperfeiçoa, através da Ciência, a arte mais importante de todas—a cura.
A cura metafísica, ou Ciência Cristã, é uma exigência da nossa época. Todo homem e toda mulher a desejaria e a exigiria se ele e ela percebessem o seu infinito valor e sua sólida base. O Princípio infalível e permanente de toda a cura é Deus, e este Princípio deveria ser buscado através do amor pelo bem, por motivos mais espirituais e desinteressados. Compreender-se-á então que ele procede de Deus e não do homem, e isto impedirá que a humanidade se precipite promiscuamente, ensinando e praticando em nome da ciência vivificadora, se não o reconhecermos e não o oferecermos resistência, para assim serem estranguladas as suas intenções.
A norma da cura metafísica é violada quando acreditamos poder remendar a velha vestimenta do uso de medicamentos com a fazenda nova da metafísica, ou quando tentamos distorcer a fatal força magnética da mente mortal, denominada hipnotismo, dando-a um corte mais moderno e denominar isto de “cura-pela-mente ou—o que aos olhos da Verdade é ainda pior—chamar isto de metafísica! Palavras bonitas em vez de uma boa conduta, retidão fingida em vez de um caráter íntegro, má prática mental em vez da prática da medicina autentica, são pobres substituições das quais se valem os fracos e mundanos, que consideram a norma da Ciência Cristã demasiadamente elevada para eles.
O que se pode deduzir de um perito em matemática que duvida da exatidão de uma regra, porque não está disposto a trabalhar o suficiente para usá-la? A perfeição da regra da Ciência Cristã é o que constitui a sua utilidade: possui uma norma real; mesmo se alguns não a alcançam, outros aproximar-se-ão dela, e estes são os únicos que permanecem fieis a esta norma.
Devemos compreender que a matéria é uma crença falsa, ou um produto da mente mortal; disto deduzimos que a sensação não está na matéria, mas na assim chamada mente; que vemos e sentimos a doença somente em função da nossa crença nela: então não haverá mais matéria que nos impeça ver o Espírito e que obstrua as rodas do progresso. Abrimos as nossas asas em vão quando tentamos elevar-nos acima do erro, usando conceitos especulativos a respeito da Verdade.
O Amor é o Princípio da Ciência divina; através dos sentidos materiais não tomamos conhecimento do Amor, nem é ele adquirido através de uma reprovável tentativa de aparentarmos o que ainda não conseguimos ser: um Cristão. No nosso amor para com o homem, adquirimos uma compreensão verdadeira de que o Amor é Deus; de nenhuma outra maneira podemos alcançar este conceito espiritual e elevar-nos—e continuar elevando-nos—em direção às coisas mais essenciais e mais divinas. O que impede o progresso do homem é a sua vanglória, ou farisaísmo da época, como também o seu esforço por furtar de outros para poupar árduo trabalho; são erros que não encontram espaço na Ciência. O conhecimento empírico é pior do que inútil: jamais ajudou ao homem adiantar-se um passo sequer na escala do ser.
Que uma mulher tenha-se aventurado sobre um terreno tão desconhecido e que, esquecendo-se de si mesma, prosseguiu em estabelecer este poderoso sistema de cura metafísica, chamado Ciência Cristã, ante tantos obstáculos, --sim, toda a corrente da mortalidade,--é motivo de sério assombro para pensadores profundos. Que, além disto, ela alcançou algum progresso e que, no meio de uma época tao envolvida em pecado e sensualismo, se aprofundou nas verdades espirituais do ser que constituem a perfeição física e mental, lhes parece ainda mais inconcebível. Neste novo curso da metafísica, Deus é considerado mais do que absoluto e supremo; e o Cristo encontra-se revestido com maior esplendor, como o nosso Salvador da doença, do pecado e da morte. A paternalidade de Deus para com Vida, Verdade e Amor, glorifica a Sua soberania.
Através deste sistema, o homem também obtém um novo conhecimento do seu relacionamento com Deus. Já não precisa mais pecar, adoecer e morrer a fim de alcançar o céu; antes é obrigado a vencer o pecado, a doença e a morte, possuindo a faculdade para tanto, e isto porque, como imagem e semelhança de Deus, ele reflete Àquele que destrói a morte e o inferno. Mediante este reflexo, o homem torna-se participante daquela Mente da qual surgiu o universo.
Na Ciência Cristã, o progresso não é motivado pelo ensino, mas pela demonstração. Esta Ciência melhor a e regenera a humanidade, libertando-a de todo o erro através da luz e do amor da Verdade. Ela confere ao gênero humano aspirações mais elevadas e novas possibilidades. Ela coloca o machado na raiz da árvore do conhecimento para cortar tudo o que não traz bons frutos; “E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mateus 11:6). Ela relaciona a mente com valores mais espirituais, sistematiza a atividade, confere um significado mais perspicaz da Verdade e um maior anseio por ela.
Se estamos famintos e sedentos por uma vida melhor, a obteremos e nos tornaremos Cientistas Cristãos; compreenderemos Deus corretamente e conheceremos algo a respeito do homem ideal, o homem verdadeiro, harmonioso e eterno. Esta evolução do pensamento abrirá o caminho às eras; impulsionará corretamente as engrenagens do raciocínio, educará os afetos para talentos mais elevados e impedirá que o cristianismo seja influenciado por superstições de épocas passadas.
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EU ME RESFRIEI
Estando certa manhã de inverno na calçada observei uma carruagem que parava defronte de uma imponente mansão; da mesma desembarcou um distinto cavalheiro, levando consigo esta detestável maleta de médico.
“Ah!” pensei, “provavelmente alguém deve tomar algum medicamento, e qual será?”
Neste momento apareceu no vestíbulo um pequeno e doce rosto, e o seu nariz vermelho, os olhos inflamados, tosse e aspecto de cansaço revelaram tudo; olhando curiosamente, a pobre criatura disse:
“Me resfriei, doutor”.
O seu aparente orgulho de poder participar de um surto de gripe, era engraçado. Entretanto, o seu dividendo era algo novo para ela, comparado com o dos demais acionistas da sua casa; e indubitavelmente estes, que pagavam as ações, estavam mais alarmados.
O que, porém, ocorreria se a esta doce criança, que tão valentemente confessava ter algo que não deveria ter e do qual a mamãe pensava que deveria desfazer-se, tivessem ensinado a dizer ainda com maior valentia, e acreditando-o:
“Eu não me resfriei!”
Desta forma, os remédios e as contas do médico teriam sido evitados e, através de tratamento metafísico, a pequena, com olhos cintilantes e bochechas rosadas, estaria pulando no ar frio.
Pais e médicos não deveriam desapossar a doce frescura da vida das crianças com aquela irreverente advertência: “Vais te resfriar”.
Profetizar o perigo não dignifica a vida, enquanto que prognosticar a liberdade e a alegria sim, pois estes são poderosos promotores da saúde e da felicidade. Toda a educação deveria contribuir para a força moral e física, bem como para a liberdade. Se um resfriado pudesse entrar no corpo sem o consentimento da mente, a natureza o tiraria com a mesma facilidade com que tira o orvalho congelado do solo, ou o deixaria que permanecesse, sem causar dano, assim como, para a satisfação de todos, o gelo é colocado no sorvete.
A árvore nova inclina-se com o vento, enquanto que o robusto carvalho, com a sua forma e inclinação inflexíveis, resiste ao furacão. É mais fácil inclinar corretamente o pensamento tenro do que a mente preconcebida. As crianças que não foram mal instruídas, amam a Deus com naturalidade, pois são puras, afetuosas e, em geral, valentes. Paixões, apetites, orgulho e egoísmo tem insignificante influência sobre a mente jovem e sem preconceitos.
Ensine as crianças a governarem-se a si mesmas e não as ensine nada que seja incorreto. Se vêem o seu pai com um cigarro na boca, sugeri-lhes que o hábito de fumar não é bom e que só a um verme nojento é natural mascar tabaco. Da mesma forma informe-as seriamente que certa marca de tabaco de mascar, conhecida pela sua potência por “Acha-de-armas”, tonteia a cabeça dos homens, ou, se não o faz, tira dos seus corpos algo bonito que pertence à natureza—isto é--, fragrância pura.
Do ponto de vista religioso, a fé tanto do jovem como do adulto, deveria concentrar-se em Deus tão firmemente que beneficiasse tanto o corpo como a mente. Corpo e mente estão correlacionadas na salvação do homem, pois, assim como o homem não poderá entrar no céu como pecador, tampouco poderá entrar como doente, e o cristianismo do Cristo expulsa toda a sorte de doença como de pecado.
Teste, se quiseres, a cura metafísica com dois pacientes: um que tenha defeitos morais para serem sanados, o outro que padeça de um mal corporal. Empregue como medicina a grande alternativa, a Verdade: dê ao imoralista uma dose mental que diz: “Não tens nenhum prazer no pecado”, e observe os efeitos.
Ou ele te odiará e tentará convencer a outros para que também te odeiem, tomando assim uma grande dose de erro que aparentemente chega para neutralizar a Verdade que tens declarado, ou aguardará o resultado com dúvidas, durante cujo intervalo, através de constantes lutas e terríveis esforços obténs a vitória, e a Verdade o cura desse mal moral.
Ao paciente acamado, por outro lado, administre esta alterante Verdade: “Deus jamais te fez doente: não há nenhuma necessidade de sentir dor e a Verdade destrói o erro que insiste na necessidade de que o homem seja escravo do pecado e da doença. ‘E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’” (João 8:32).
Então, como o cego Bartimeu (Marcos 10:46), o coração que duvida olha para o alto, inspirado pela fé, e o teu paciente se regozija no evangelho da saúde.
Como vês, é mais fácil curar o mal físico do que o mal moral. Se a Verdade e o Amor divinos curam do pecado ao pecador que se sente acomodado no pecado, quanto mais deveriam a Verdade e o Amor curar da doença aos doentes que se sentem incômodos e desanimados na doença, e que anseiam por alívio!
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AMOR
Que palavra! Ante ela me inclino com reverência. Sobre quantos mundos e mais mundos domina e é soberana! Aquilo que não se deriva de nada, o incomparável, o Tudo infinito do bem, o Deus único, -- é Amor.
Através de que estranha perversidade a mais bela palavra veio a ser a mais profanada, -- tanto para designar qualidade como entidade? Os mortais representam mal o amor, qualificando-o de modo impróprio; fazem dele o que não é e duvidam daquilo que na realidade é. A assim denominada afeição que persegue a sua vítima, é um carniceiro que engorda o cordeiro para depois mata-lo. O que as baixas propensões exprimem, devia ser reprimido pelos sentimentos. Nenhuma palavra é mais mal interpretada, nenhum sentimento menos compreendido. O significado divino de Amor é distorcido ao convertê-lo em qualidades humanas, as quais, no humano abandono do divino, se convertem em inveja e ódio.
O amor não é algo que se coloca sobre uma estante para retira-lo, em raras ocasiões, com uma pinça para açúcar e coloca-lo sobre a pétala de uma rosa. Exijo muito do amor, exijo provas eficazes para testimunha-lo e, como resultado, nobres sacrifícios e grandes realizações. A menos que estes apareçam, ponho de lado a palavra como algo de fingido e como moeda falsa que não tem o tinido do metal legítimo. O amor não pode ser uma mera abstração, ou bondade sem atividade e poder. Como uma qualidade humana, o glorioso significado de afeto está acima de palavras; é a terna e desinteressada realização executada em secreto; a silenciosa e incessante oração; o coração trasbordante que se esquece de si mesmo; a figura velada que sai furtivamente por uma porta lateral para realizar alguma obra piedosa; pésinhos deslizando agilmente pela calçada; a mão gentil abrindo a porta ao necessitado e ao angustiado, ao enfermo e ao aflito, iluminando assim os lugares obscuros da terra.
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ANJOS
Quando nos visitam anjos, não ouvimos o sussurro de asas, nem sentimos o suave toque do emplumado peito de uma pomba, mas reconhecemos a sua presença pelo amor que despertam nos nossos corações. O, quisera que sintais este toque! –não se trata de um aperto de mãos, nem da presença de algum ente querido; é mais do que isto: -- é uma idéia espiritual que ilumina o vosso caminho! O Salmista diz: “Aos seus anjos dará ordens a teu respeito” (Salmos 91:11). Deus vos dá Suas idéias espirituais, e elas, por sua vez, vos darão o suprimento diário. Nunca pedis para o dia de amanhã; é suficiente que o Amor divino é uma ajuda sempre presente; e se esperais, jamais duvidando, tereis a todo o momento tudo o que necessitais. Que gloriosa herança se nos oferece mediante a compreensão do Amor onipresente! Mais não podemos pedir; mais não podemos desejar; mais não podemos ter. Esta doce segurança é o “Acalma-te, emudece!” (Marcos 4:39) para todo o medo humano, para o sofrimento de toda a espécie.
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NÃO HÁ MORTE?
Jesus não só declarou ser ele “o caminho” e “a verdade”, mas também “a vida”. Deus é Vida; e como há um só Deus, só pode haver uma Vida. Deve o homem morrer, então, para herdar a vida eterna e adentrar o céu?
Nosso Mestre disse: “está próximo o reino dos céus”. Então, Deus e o céu, ou a Vida, estão presentes e a morte não é o trampolim para a Vida e a felicidade. Elas estão aqui e agora; e uma mudança na consciência humana, do pecado para a santidade, revelaria esta maravilha do ser. Por estar Deus sempre presente, nenhum limite de tempo pode nos separar dEle e do céu da Sua presença; e por ser Deus a Vida, toda Vida é eterna.
É anticristão acreditar não existir morte? Não, a menos que seja pecado acreditar que Deus é Vida e Tudo-em-tudo. O mal, e a doença não dão testemunho da Vida e de Deus. Os seres humanos são fisicamente mortais, mas espiritualmente imortais. O mal que acompanha a personalidade física é ilusório e mortal, mas o bom companheiro da individualidade espiritual é imortal. Existindo aqui e agora, essa individualidade invisível é real e eterna. Os assim chamados sentidos materiais e a mente mortal, incorretamente batizada de homem, nada sabem da individualidade que manifesta imortalidade, cujo Princípio é Deus.
Somente a Deus pertencem as inquestionáveis realidades do ser. A morte é a contradição da Vida ou Deus, portanto não está de acordo com Sua lei, e sim antagônica a ela.
A morte, então, é um erro, oposto à Verdade, -- tal e qual a irrealidade da mente mortal, não a realidade da Mente que é Vida. O erro não tem vida e é potencialmente inexistente. A Vida é real; e tudo que é real procede da Vida e é inseparável desta.
É anticristão acreditar na transição chamada morte material, vez que a matéria não tem vida, e tal crença equivocada entroniza forçosamente outro poder, uma vida imaginária, acima do Deus vivo e verdadeiro. Um sentido material da vida rouba a Deus, ao declarar não ser Ele a única Vida; mas que a vida também seja outra coisa – afirmando, assim, a existência e o governo de mais de um deus. Este sentido falso e idólatra de vida é tudo o que morre, ou parece morrer.
Ao contrário, a compreensão de Deus revela a Vida e a imortalidade. A morte não tem qualidade alguma de Vida, e nenhum decreto divino nos ordena acreditar em coisa alguma diversa de Deus, ou negar ser Ele a Vida eterna.
A Vida, assim como Deus, o bem moral e espiritual, não é percebido nos reinos mineral, vegetal ou animal. Daí a conclusão inevitável de que a Vida não está nestes reinos, e que as noções predominantes neste sentido não estão à altura do padrão cristão da Vida nem equivalem à realidade do ser, cujo Princípio é Deus.
Sempre que a Palavra se “faz carne” entre os mortais, a Verdade da Vida entra em atividade no corpo. A Vida eterna é parcialmente compreendida; e a doença, o pecado e a morte se rendem à santidade, à saúde e à Vida – isto é, a Deus. A concupiscência da carne e a soberba da vida física têm de ser tragadas pela essência divina – um Amor onipotente que anula o ódio, uma Vida que não conhece a morte.
“Quem creu na nossa pregação?” Quem compreende estas palavras? Aquele a quem o braço do Senhor foi revelado. Ele ama aqueles de quem a Ciência divina remove a fraqueza humana pela força divina, e aqueles que desvendam o Messias, cujo nome é Maravilhoso.
O homem não tem autonomia de poder. A individualidade que se opõe a Deus é falsa, pretende ter outro pai e nega a filiação divina; mas todos quantos receberam o conhecimento de Deus na Ciência têm de refletir, em algum grau, o poder dAquele que deu e dá ao homem o domínio sobre toda a terra. Como soldados da cruz, precisamos ser intrépidos e deixar que a Ciência declare o estado imortal do homem e negar a evidência dos sentidos materiais que atestam a morte do homem.
Como imagem de Deus, ou Vida, o homem reflete e encarna a Vida para sempre, não a morte. Os sentidos materiais dão falso testemunho. Eles pressupõem que Deus é bom e que o homem é mal, que a Divindade é imortal, mas que o homem morre, perdendo a semelhança divina.
A Ciência e o sentido material conflitam em todos os pontos, da translação da Terra à queda de um pardal. A única coisa que morre é a mortalidade. Dizer que você e eu, como mortais, não adentraremos esta sombra tenebrosa do sentido material chamada morte é afirmar o que não provamos; mas o homem, na Ciência, jamais perde a vida. O sentido material ou a crença de vida na matéria tem de perecer, a fim de provar a imortalidade do homem.
À medida que a Verdade toma o lugar do erro e dá os frutos do Amor, esta compreensão da Verdade supera a crença na morte e demonstra que a Vida impera na ordem divina do ser.
Jesus declara que aqueles que crêem nas suas palavras jamais morrerão; portanto os mortais não podem receber a vida eterna por acreditarem na morte, do mesmo modo que não podem se tornar perfeitos por acreditarem na imperfeição e viverem na imperfeição. A Vida é Deus, e Deus é bom. Desta forma, a Vida permanece no homem se ele permanece em Deus, que mantém a Vida através de um sentido espiritual, não de um sentido material do ser.
Um sentido de morte não é o pré-requisito para um sentido apropriado ou verdadeiro da Vida, porém a obscurece. A morte jamais pode alarmar, ou mesmo aparecer para aquele que compreende totalmente a Vida. A pena de morte sobrevém por causa de nossa ignorância com relação à Vida – a Vida que não tem começo nem fim, – e é a punição por esta ignorância.
Mantendo um sentido material da Vida e carecendo do sentido espiritual desta, os mortais morrem na crença, e consideram todas as coisas como temporais. Um sentido material não apreende coisa alguma que pertença estritamente à natureza e operosidade da Vida. Ele só concebe e sustenta a mortalidade, e tem apenas uma noção muito tênue da imortalidade.
A fim de alcançar o verdadeiro conhecimento e consciência da Vida, temos de aprendê-la pelo bem. Pelo mal, jamais podemos aprendê-la, pois o pecado fecha o sentido real da Vida, e produz um sentido irreal de sofrimento e morte. O conhecimento do mal, ou a crença nele, envolve uma perda do sentido verdadeiro do bem, Deus; e conhecer a morte, quer dizer, acreditar nela, envolve uma perda temporária de Deus, A Vida única e infinita.
A ressurreição dos mortos (isto é, da crença na morte), precisa sobrevir a todos, mais cedo ou mais tarde, e os que têm parte com esta ressurreição são aqueles sobre os quais a segunda morte não tem poder.
O doce e sagrado sentido da união permanente do homem ao seu Criador pode iluminar nossa existência atual com uma contínua presença e poder do bem, abrindo de par em par o portal da morte para a Vida; e quando esta Vida aparecer, “seremos como Ele mesmo” e iremos para o Pai, não pela morte, mas pela Vida, não pelo erro, mas pela Verdade. Toda Vida é Espírito e o Espírito jamais pode residir em seu antagonista, a matéria. A Vida, portanto, é imorredoura, porquanto Deus não pode ser o oposto de Si mesmo. Na Ciência Cristã não há matéria, por isso que a matéria nem vive nem morre. Para os sentidos, a matéria parece viver e morrer e esses fenômenos parecem continuar ad infinitum, mas tal teoria implica em perpétuo desacordo com o Espírito.
Estando a Vida, Deus, em toda parte, segue-se, necessariamente, que a morte não pode estar em lugar algum; porquanto não há espaço reservado para ela.
A Alma, o Espírito, é imorredouro. A matéria, o pecado e a morte não são o produto do Espírito, da santidade e da Vida. O que são, então, a matéria, o pecado e a morte? Nada podem ser, exceto os produtos da consciência material; entretanto, a consciência material não pode ter existência real, por não ser uma realidade vivente – quer dizer, divina, inteligente.
Que o homem tenha de viver no vício antes de poder tornar-se virtuoso; estar moribundo, antes de se poder tornar-se imorredouro, ser material, antes de poder tornar-se espiritual é um erro dos sentidos, pois o exato oposto deste erro é a genuína Ciência do ser.
O homem, na Ciência, é tão perfeito e imortal agora, como quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus.
Com Cristo, a Vida não era meramente um sentido de existência, mas um sentido de poder, bem como a habilidade de subjugar as condições materiais. Não admira que “estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”.
Como Jesus bem definiu, a Vida não tem início, nem é o resultado da organização ou da infusão de poder na matéria. Para ele, a Vida era Espírito.
A Verdade, em desafio ao erro ou matéria, repelindo um falso sentido e conduzindo o homem ao verdadeiro sentido de si mesmo e de Deus mesmo, em que o mortal não produz o imortal, nem o material produz o espiritual, mas em que a verdadeira varonilidade e feminilidade seguem adiante na radiância do eterno ser com seus feitos inalterados e inalteráveis.
Essa geração parece material demais para qualquer forte demonstração de domínio sobre a morte, daí não poder produzir a realidade infinita da Vida; – a saber, que não há morte, tão-somente a Vida. Atualmente, o sentido material do ser é finito demais para se apoiar no infinito bem, Deus, porque os mortais hoje acreditam na possibilidade de a Vida ser um mal.
A grande façanha do ultimato da Ciência, o completo triunfo sobre a morte, requer tempo e um imenso crescimento espiritual.
Não tenho falado de mim mesma, de modo algum, não posso falar de mim mesma com “conhecimento de causa”. Eu apenas insisto no fato de que, – como existente na Ciência divina – o homem jamais morre, e nas palavras do Mestre, em favor desta verdade – palavras que jamais “passarão sem que tudo isto aconteça”. Diante dessas profundas razões, eu conclamo os Cristãos a terem mais fé em viver do que em morrer, exorto-os a aceitarem a promessa de Cristo e unirem a influência de seus próprios pensamentos ao poder dos ensinamentos dele na Ciência do ser. Isto revelará o poder divino à capacidade humana e nos habilitará a apreender ou alcançar “aquilo pelo qual” como diz Paulo no terceiro capítulo de Filipenses, somos também “conquistados por [ou seguros por] Cristo Jesus,” – a Vida sempre presente, que não conhece a morte, o Espírito onipresente, que não conhece a matéria.